Esta doeu! Para quebrar a monotonia dos longos e tediosos
dias da rotina de um idoso, decidi assistir vídeos aleatórios na internet,
e como é de praxe, assista um e aparece
uma gama de sugestões para o deleite de pessoas ociosas como eu. Um
chamou a minha atenção, discorria sobre os atrasos da vida e esqueci a primeira
opção e logo no primeiro minuto, já
vesti a carapuça e percebi que não devo e nem posso culpar ninguém pelas derrotas e frustrações que acumulei ao
longo de oito décadas de vida e o meu
coração sangrou de tristeza, se eu tivesse
tido estas informações a sete décadas atrás, quem sabe meus dias não
seriam tão amargos hoje.
Reclamar –
Este hábito de reclamar de tudo e de todos, desde que me entendo por gente eu o
faço. Nada está bom para mim, nada me
satisfaz e me deixa feliz. Nos dias chuvosos reclamo pois não quero usar guarda –
chuva, botas ou tênis ao sair, que a
roupa não seca e a casa fica com cheiro ruim. Se faz sol, reclamo do calor e da
possibilidade de desenvolver um câncer de
pele, que transpiro muito e sinto muita sede, que as calçadas estão sempre
lotadas de transeuntes. Caso aconteça de
eu receber uma visita, queixo-me do custo que tive com o lanche ou almoço para
ela, se é o contrário, eu sou convidado, reclamo do transtorno de usar
transporte público e por aí vai...
Vitimismo Este é um velho hábito desde a mais tenra
idade. Se é algo que desejo fazer, que me fará feliz, procrastino, fico ansioso,
torço o bigode e a minha compulsão por cigarro aflora e não consigo
desfrutar do momento. Diante de algo que
precisa ser feito, doenças comuns como
infecção urinária, crises de enxaquecas, aparecem do nada e misteriosamente
desaparecem finda a questão, que foi
feita com muito sacrifício.
Não se
preparar para os desafios – Este é o mais grave de todos os meus defeitos e por
culpa dele, estou aposentado, recebendo um salário mínimo e nem casar
conseguiu, porque mulher nenhuma teve paciência comigo, um homem que não
consegue dar um passo adiante, apesar de ter a ideia, o meio e o tempo, nunca conseguiu se preparar para
uma promoção no trabalho ou até arriscar em um novo emprego em outra área, e até
mesmo empreender; sequer consegui que uma semente minha vingasse e o desejo de
ser pai, avô; bisavô, tataravô ficou apenas no sonho do passado.
Tentar
justificar o injustificável – Pela má
qualidade do meu serviço, meus
relacionamentos em todas as esferas da vida, procurei justificar com argumentação
fraca e inverossímil e com o péssimo hábito de incluir um mal estar para dar mais credibilidade a
mentira deslavada.
Culpar
os outros pelos meus fracassos – Esta sim, foi e ainda é a minha especialidade.
Meus pais são os culpados por não terem me dado
a oportunidade de estudar em boas
escolas, por não ter me dado uma mesada generosa para que eu pudesse desfrutar
da juventude com os amigos, por não
arranjado um bom casamento para mim. O patrão foi culpado por não ter acreditado em meu talento
ocultado e ter-me oferecido um treinamento adequado para que eu pudesse exercer
melhor a função. Minhas ex-namoradas também
têm sua parcela de culpada por não terem tido a paciência necessária até que eu conseguisse mostrar o meu valor.
Focar
em algo errado. Eu fiz e ainda faço isso. Queria o topo da montanha e fique a
vagar sem rumo na colina, sem ao menos levantar a cabeça para procurar um local
adequado para abrir as picadas necessárias
para a escalada, longa, difícil mais
possível. Queria aprender línguas mas foquei minhas leituras
em revistas em
quadrinhos. Almejei um bom emprego, mas nunca fui capaz
de me inscrever e frequentar um curso
profissionalizante, Sonhei aprender a tocar sanfona, comprei uma, procurei uma
escola de música e consegui a proeza de ter 90% de faltas, sem falar que em
casa, nunca tirava o instrumento da caixa. Mirei alto, desejei muito, mas todos
os meus esforços foram destinados àquilo que leva a pessoa a mediocridade.
Anônimo