Assistir
ao noticiário está bem difícil porque são prioritariamente informações difíceis de serem digeridas, nas
felizmente, eu soube de uma boa nova: as agências do Correios
irão atuar em apoio às pessoas
mais vulneráveis ajudando-as na
solicitação do auxílio emergencial a que tem direito, como eu não sei, mas para aquelas pessoas esquecidas pelo
Poder Público e carentes de tudo, em muitos casos, o acesso aos Correios é mais fácil porque sem renda, não tem como pagar os serviços lan house que são
bem caros.
Para
ocupar o meu tempo ocioso, que não é pouco, decide assistir uns
vídeos na internet sobre comunicação e encontrei muita coisa boa mas um
palestrante deixou-me deprimida. Ele discorria sobre os sete pecados capitais da fala:
Fofocar, julgar, negatividade, reclamar, desculpar, exagero e dogmatismo e
eu constatei que possuo os sete e pior,
não sei como desfazer- me deles. Realmente
não sou uma companhia agradável. Que triste!
sexta-feira, 8 de maio de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Diário do isolamento social- 50º
Estou
assustada e com medo de ver noticiário porque não se ouve noticias promissoras.
A expectativa de flexibilização, a
partir de segunda-feira, dia 11 de maio, não acontecerá, pelo contrário,
medidas mais duras de enfrentamento da
pandemia serão tomadas com o Decreto que regulamentou a “Lei nº 17.340, que
dispõe sobre medidas de proteção da saúde pública e outras medidas para o
enfrentamento da emergência de saúde pública”. A situação econômica do
Brasil está crítica, mais de 1.218 trabalhadores perderam o emprego e a fila do desemprego cresce assustadoramente
porque as empresas estão fechadas. Como viverão estas pessoas quando não mais tiverem direito ao seguro desemprego? Mais de 800 militares foram afastados de suas
funções por estarem contaminados e com
menos policiais nas ruas o cidadão de bem fica ainda mais assustado, mesmo
refugiado em seu lar, o seu recinto sagrado.
Quando a fome bate à
porta, os pais saem em busca de alimento e cresce a desobediência civil. De acordo com
o Sistema de Monitoramento Inteligente,
apenas 47% da população estão em isolamento social e o ideal é no mínimo 60%,
mas o que o povo pode fazer? A fome não
espera e não há dor maior para um pai do
que ver o seu filho chorar e implorar um
pedaço de pão e ele nada ter para oferecer e, infelizmente, não é só a fome que
ronda os operários, a morte está na
espreita, mais presente do que nunca e não
poupa ninguém; até o dia 06 de maio, 22
sem-teto morrem vítimas do Covid- 19, que Deus conforte e ilumine os que ficaram e que eles consigam o
que lhes é de direito: um teto para os abrigar das intempéries do tempo. Mais
de 10 profissionais da saúde que
trabalhavam no fronte foram a óbito. Costumam
dizer que quando um trabalhador morre,
somente a família e os amigos mais próximos sofrerão com a perda porque ele é apenas um número substituível
e muitas vezes, por outro melhor, porém,
em tempos de pandemia é que se percebe o
valor do seu trabalho, é menos mãos
firmes e delicadas cuidando e amparado as mazelas dos pacientes. Eles partiram como heróis e
ficarão na história, graças a sua coragem e generosidade. São profissionais que
recebem salários baixos, assim, a motivação
para a escolha da profissão, está pautada bem mais no amor e na vocação
do que em seus vencimentos no final do mês.
Que Deus os receba em sua
Glória !
Três estados
brasileiros, Ceará, Maranhão e Pará decretaram lockdown em alguns municípios. Os privilegiados que dispõem de uma reserva financeira, apenas
verão seu patrimônio lapidado, mas existe
o arrimo de família que trabalha de ambulante, autônomo,
microempreendedor, como diz no ditado popular,
“aquele que vende o almoço para comprar a janta”, como vai alimentar os seus? Há muitas queixas sobre a dificuldade
e demora para conseguir receber a ajuda
emergencial do governo, mas a fome não espera, ela é diária e cada
dia ganha mais força e consome a energia
vital de homens, mulheres e crianças. Com
a deficiência alimentar, a imunidade baixa e as pessoas ficam ainda mais vulneráveis
e os leitos dos hospitais, principalmente das UTIs, já estão quase todos
ocupados. Falta um mês e pouco para o início do inverno, mas o frio e baixa umidade relativa do ar, característica
da estação, já chegou e com certeza não
veio só, em sua bagagem deve estar a gripe, mais um problema para a saúde pública e sofrimento para o
povo, principalmente as crianças. Misericórdia Senhor!
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Diário do isolamentoe social 49º dia
Felizmente o porteiro conseguiu os
cocos para mim, já preparei e tomei água de coco curtida, o que fez desaparecer
repentinamente as vertigens. O dia amanheceu nublado e há prenúncio de chuvas e
eu continuarei recolhida pela impossibilidade de sair em virtude do aguaceiro
que está previsto e o mais triste, pela quarentena que não sabemos quando
terminará. Os casos de Covid-19 aumentam e a criatividade dos bandidos também. Quando
liguei a televisão, estava passando uma notícia de um arrastão em um condomínio, aqui, em São Paulo ; bandidos
fortemente armados se passaram por compradores e usaram a Imobiliária para adentrar em
segurança nos apartamentos. Tempos difíceis estamos vivendo! O rio da vida da
nação está transbordando de preocupação,
fome, medo e desespero e não há previsão de quando a enchente vai acabar.
Pensando bem, o fluxo
da minha vida é constante como as águas de um rio, que correm sem parar, contorna obstáculos,
mas segue sempre em frente, junta-se a outras águas que também rumam em direção
ao mar. Há momentos em que o rio da vida
é profundo e largo, porém, sereno. Em
outros, é estreito e raso e é preciso
saber navegar e evitar os bancos de
areia. Tanto tempo de ócio me faz
rememorar minha infância feliz, quando a vida da criançada se
resumia apenas em brincar e o melhor,
sem a consciência do perigo, mas felizmente, existia a segurança materna, sempre por perto, a nos proteger até dos perigos imaginários.
Eram outros tempos e outras preocupações. Morávamos bem próximo ao rio, mas uma
distância segura, sem risco de ter nossa casa invadida pelas águas nos tempos de cheia. Nesta
época a vigilância dos adultos era maior porque além dos acidentes normais como
afogamento, jacarés e cobras d’água,
havia o risco de contrair
doenças.
Minha casa era modesta, mas havia um
jardim e uma horta com variedade de legumes, porém, o que realmente fazia a
festa da molecada era os peixes fritos
de domingo, o rio garantia a proteína necessária ao nosso crescimento. Eu gostava de acompanhar
meu pai nesta aventura, o difícil era permanecer em silêncio, para não espantar
os peixes, ele dizia com seriedade. Até hoje
eu tenho está dúvida: os peixes, dentro d’água, ouvem o que acontece em
terra firme? Apesar das dificuldades, da falta de saneamento básico,
saúde, educação e lazer, o rio de minha vida seguia calmo até que eu resolvi
nadar até em busca de outras margens e
tive que enfrentar uma forte correnteza, e muitas vezes, vejo-me pensando se eu
tomei a decisão certa, em como seria as águas de minha vida, se lá eu tivesse
continuado. Que emoções teria vivido? Qual seria a minha rotinha? Estaria eu hoje,
em quarentena sozinha, como estou hoje?
O que farei neste dia? Apenas preparar comida, assistir televisão e nada mais
porque perdi o entusiasmo com o curso de inglês.
Tentei nadar além de minhas forças e o
sofrimento fez as águas do rio ficaram represadas e quase secaram e eu fiquei presa com uma única companhia: a
esperança. Um dia, encontrei uma jovem senhora que retirou as pedras do rio que me impediam de seguir
adiante. Nadei por águas diferentes onde
tudo era novo para mim, porém, vazios de significado porque não faziam parte
das minhas memórias e o meu vazio existencial perdura até hoje. Por mais que eu encontre águas calmas, não
sou plenamente feliz por não encontrei o
meu lugar no mundo, a minha missão nesta vida e um amor sincero. Que saudade eu tenho das águas calmas do rio
de minha infância. Mas não há nada que
eu possa fazer porque a vida é um rio que enche e seca e segue sempre em
frente, as pessoas vão ficando em
portos diferentes, outras seguindo
outros afluentes. Hoje não tenho ninguém com quem eu possa conversar sobre o
rio da minha vida e faz tanta falta, principalmente em tempos de isolamento social e com tensão permanente,
porque até os condomínio estão na mira
dos meliantes.
terça-feira, 5 de maio de 2020
Diário do isolamento social - 48º
Eta
segunda-feira difícil! Os sintomas da labirintite persistem. Eu estou tomando o
remédio homeopático e a cura ainda não chegou. Coloquei na lista de
compras coco verde, mas não veio nas compras, acredito que o Síndico
não encontrou. Hoje eu fui até ao varejão
de frutas próximo à minha casa mas não
tinha e fiz mais uma tentativa: pedi ao porteiro que compre e traga amanhã. Espero sinceramente
que ele consiga e enfim, eu possa preparar a água da casca de
coco. De outras vezes fez efeito rápido.
O mal
estar típico da labirintite incomoda bastante
na leitura, afazeres domésticos e até assistir televisão é difícil. Quarentena
é difícil e nestas condições fica pior. Mas como tudo tem um lado bom, eu deito
e fico ouvindo música, com o som bem baixo, porque volume alto incomoda bastante e é o que eu
vou fazer agora, procurar uma seleção do fundo do baú até a cura chegar.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Diário do isolamento social- 47º dia
Este domingo foi marcado por procrastinação e mal estar. Estou sentindo vertigens e isto não é bom porque são os primeiros sintomas
de uma crise de labirintite. Somente de
pensar na possibilidade de ir ao hospital em tempos de Covid-19 receber medicação
na veia apavora-me porque corre-se o
risco de entrar ruim e sair pior. Por sorte, ainda tenho um vidro de Vertigoheel, dentro da data de
vencimento e vou tomá-lo e tenho fé que com a ajuda de Deus, a crise não chegará
ao ápice. Um funcionário do condomínio interfonou pedindo a lista de
compras, eles fazem esta gentileza com os moradores idosos, e eu acrescentei um
coco verde, espero que encontre. Aprendi com
os antigos que tomar água da casca do fruto previne e melhora a crise e, comigo tem dado
certo, antes do isolamento, todo mês eu
comprava um e preparava a
receita. A minha rotina mudou com o confinamento, de uma vida agitada de
caminhadas na Av. Paulista e Parque do
Trianon, participação em eventos culturais, academia, feiras livres, supermercados, shopping, Rua 25
de Março, agora ando de um cômodo para outro e nada mais, acredito que estou
sofrendo as consequências do ócio improdutivo. Queria Deus que o síndico encontre o meu remédio natural e eu melhore logo. No
mais, apenas a rotina de cuidados com
o preparo do alimento.
Domingo, 03 de maio de 2020
sábado, 2 de maio de 2020
Diário do isolamento social - 46º
Está
chovendo agora. Em outros tempos eu estaria feliz, mas com o aumento da umidade
do ar e a queda da temperatura, eu temo
que o Covid-19 ganhe mais força e faça parceria
com os colegas Influenzas que já devem estar por vir, eles são sazonais e
seguem o ritmo das estações e o que já está ruim pode ficar pior com vidas
sendo ceifadas diariamente. A população está faminta e com a imunidade baixa, o
berço ideal para o imigrante indesejado.
Apesar do perigo iminente, aprecio o murmúrio suave das águas celestiais batendo na vidraça
de minha janela e ela caí generosa, sem relâmpagos
e trovões e descerá lentamente até o
lençol freático para depois, em seu tempo,
segundo o seu ciclo natural, retornar às nuvens e cair novamente, infinitamente e não há nada e ninguém que poderá mudará isso, assim sempre foi e sempre será.
As
pessoas da zona rural gostam da chuva, não apenas para atenuar o calor mas para molhar a terra seca
e fazer germinar a semente e florescer a plantação, o pasto do gado e as
florestas. Chuva na medida e época certa
é sinônimo de fartura nos campos e nas cidades. O lavrador fica aliviado quando
o primeiro pingo d’água cai sobre sua plantação e ele, que já enfrentou os
raios fulminantes do sol agora, na segurança de seu lar, pede a São Pedro que o volume
de chuva seja o ideal para
florescer a terra, porque o excesso faz transbordar os rios e inundar as
plantações. Com está mudança no tempo, quais preocupações terão agora as nossas
autoridades, responsáveis pelo controle da pandemia?
O
tempo frio fez surgir em mim uma nostalgia dos tempos em que eu não temia a doença porque acredita que a
minha juventude venceria qualquer
combate interna de anticorpos e intrusos. Hoje, com as orientações maciças
sobre quem pertence ao grupo, do qual faço parte, tudo deixa - me apreensiva,
assim, nada fiz hoje, nem sequer
consegui tomar sol porque de manhã, antes da chuva, o céu estava
nublado. Não fui à feira, em virtude do constrangimento com a carona no sábado
passado e como a motorista não enviou mensagem
perguntando se eu queria ir com
ela, achei mais prudente, apenas enviar uma mensagem, agora a tarde, para saber
da cachorra, que está um pouco adoentada. Quão vazios está o relacionamento entre
vizinhos nesta pandemia. Quando contatamos um, é para falar das últimas estatísticas
e não adianta puxar assunto para comentar um filme ou outro assunto
porque não vai adiante.
Em
quarentena, por menor que seja um problema doméstico, que em outros tempos ele
passaria despercebido, agora, ele toma proporções gigantescas e comigo e o
pernilongo não foi diferente. Faz uns três
dias que eu andava ás turras com o maldito inseto, limpeza na casa, aplicação
de inseticida, queima de incenso, uso de repelentes e perfumes, nada o
espantava, até que hoje, quando eu menos esperava, eu venci a batalha. Enquanto
arruma a mesa para o último lanche do
dia, eu o ví na parede, encolhido pelo frio e sem hesitar, pequei uma almofada
e parti para o ataque. O sangue que ele sugou de mim, tingiu a parede e
eu limpei a sujeira com prazer porque agora
não serei mais picada. Não é que
eu seja sovina e esteja negando umas míseras
gotas de sangue a um mosquito faminto, é medo que o intruso seja o estrangeiro Aedes
Aegypti, o transmissor da Dengue, Chikungunya, Zika e da Febre Amarela urbana. O
Aedes Aegypti, junto com o Covid-19, formam a dupla
de imigrantes mais indesejada e temida do país. Diante da periculosidade dos forasteiros, o pernilongo nacional passou a ser considerado tão inofensivo quanto uma
folha seca, mas que é irritante, disto não resta a menor dúvida.
Diário do isolamento social- 45º dia
1º de
maio, dia do trabalhador! Uma data que sempre foi marcada por festividades,
hoje, nada se tem para comemorar. O
covid-19 avança, empresas fecham as portas e há demissões em massa; em
muitas situações, os empregados não recebem
os seus direitos porque a empresa
não tem como pagá-los. Isto é prenúncio de fome e violência. Tempos mais difíceis
estão por vir para aqueles que são o alicerce da nação: o Trabalhador! Diante de tanto sofrimento e
miséria que estão vivendo os empregadores
e funcionários, sinto necessidade de agradecer aqueles que um dia deram-me a oportunidade de ganhar o meu sustento e graças a eles, hoje
eu usufruo o benefício da aposentadoria
e espero continuar a recebe-lo durante e pós pandemia.
Comecei minha vida laborar recebendo meio salário mínimo,
sem registro em carteira e agradeço ao Senhor José Pereira, (in memorian) o meu primeiro
emprego, onde aprendi responsabilidade e
administração financeira e foi graças as minhas economias e experiência adquirida
que consegui transferir minha base
residencial para uma cidade de médio
porte.
Nesta
cidade passei por humilhações e privações, porém, consegui o meu primeiro
registro em carteira, passei a receber um salário mínimo, sem benefícios
como vale transporte, cesta básica e
convênio médico. Eram tempos difíceis, mas agradeço profundamente ao Senhor Onésimo ( in memorian) a oportunidade e graças a
mais esta experiência adquirida, pude realizar o meu sonho de morar na capital.
Na
capital, os dois primeiros anos foram de muito trabalho e humilhações, pouco
dinheiro e nenhum benefício, porém, foi
neste local que desenvolvi resiliência e tive
a chance de mudar para melhor, portanto, sou grata a Senhora Tânia, que tanto
me fez sofrer como também me fez amadurecer.
Sou
profundamente grata a multinacional que
me admitiu em seu quadro de funcionário, pagava bem, com benéficos e,
infelizmente eu não soube aproveitar a oportunidade. Tanto ofereceram e eu
ignorei, sonhando com um mundo de glamour que nunca se realizou. Ah! Imaturidade
quão cruel tu podes ser!
Meus últimos
anos de trabalho foram exaustivos, porém, graças a ele, eu
fechei o ciclo laboral e fui agraciada com a aposentadoria, não é muito, mas garante o meu sustento. Sou grata, sou grata,
sou grata! Peço a Deus que abençoe e proteja patrões e empregados. Que está
crise chegue ao fim, e que a vida volte
ao seu ritmo normal.
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