terça-feira, 5 de maio de 2020

Diário do isolamento social - 48º

               
            Eta segunda-feira difícil! Os sintomas da labirintite persistem. Eu estou tomando o remédio homeopático e a cura ainda não chegou. Coloquei na lista de compras  coco verde, mas  não veio nas compras, acredito que o Síndico não encontrou. Hoje eu fui até ao  varejão de frutas próximo à minha casa  mas não tinha e fiz mais uma tentativa: pedi ao porteiro que  compre e traga amanhã. Espero sinceramente que  ele consiga e   enfim, eu possa preparar a água da casca de coco. De outras vezes  fez efeito rápido.
            O mal estar típico da labirintite incomoda bastante  na leitura, afazeres domésticos e até assistir televisão é difícil. Quarentena é difícil e nestas condições fica pior. Mas como tudo tem um lado bom, eu deito e fico ouvindo música, com o som bem baixo, porque   volume alto incomoda bastante e é o que eu vou fazer agora, procurar uma seleção do fundo do baú  até a cura chegar.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Diário do isolamento social- 47º dia

                              Este domingo  foi marcado por procrastinação e  mal estar. Estou sentindo  vertigens e isto não  é bom porque são os primeiros sintomas de  uma crise de labirintite. Somente de pensar na possibilidade de ir ao hospital em tempos de Covid-19 receber medicação na veia  apavora-me porque corre-se o risco de entrar ruim e sair pior. Por sorte, ainda tenho  um vidro de Vertigoheel, dentro da data de vencimento e vou tomá-lo e tenho fé que com a ajuda de Deus, a crise não chegará ao ápice.  Um funcionário do  condomínio interfonou pedindo a lista de compras, eles fazem esta gentileza com os moradores idosos, e eu acrescentei um coco verde, espero que encontre. Aprendi com  os antigos que tomar água da casca do fruto  previne e melhora a crise e, comigo tem dado certo, antes do isolamento, todo mês eu  comprava um e  preparava a receita. A minha rotina mudou com o confinamento, de uma vida agitada de caminhadas na Av. Paulista e  Parque do Trianon, participação em eventos culturais, academia,  feiras livres, supermercados, shopping, Rua 25 de Março, agora ando de um cômodo para outro e nada mais, acredito que estou sofrendo as consequências do ócio improdutivo. Queria Deus que  o síndico encontre  o meu remédio natural e eu melhore logo. No mais,  apenas a rotina de  cuidados com  o preparo do alimento.
Domingo, 03 de maio de 2020

sábado, 2 de maio de 2020

Diário do isolamento social - 46º

                                   
            Está chovendo agora. Em outros tempos eu estaria feliz, mas com o aumento da umidade do ar e  a queda da temperatura, eu temo que o Covid-19 ganhe  mais força e faça parceria com os colegas Influenzas que já devem estar por vir, eles são sazonais e seguem o ritmo das estações e o que já está ruim pode ficar pior com vidas sendo ceifadas diariamente. A população está faminta e com a imunidade baixa, o berço ideal para o imigrante  indesejado. Apesar do perigo iminente, aprecio o murmúrio  suave das águas celestiais batendo na vidraça de minha janela e ela caí  generosa, sem relâmpagos e trovões e  descerá lentamente até o lençol freático para depois, em seu tempo,  segundo o seu ciclo natural, retornar às nuvens  e cair novamente, infinitamente e não há  nada e ninguém que poderá  mudará isso, assim sempre foi e sempre será.
            As pessoas da zona rural gostam da chuva, não apenas para  atenuar o calor mas para molhar a terra seca e fazer germinar a semente e florescer a plantação, o pasto do gado e as florestas. Chuva na medida  e época certa é sinônimo de fartura nos campos e nas cidades. O lavrador fica aliviado quando o primeiro pingo d’água cai sobre sua plantação e ele, que já enfrentou os raios fulminantes do sol agora, na segurança de seu lar, pede a São Pedro que  o volume  de chuva seja o ideal  para florescer a terra, porque o excesso faz transbordar os rios e inundar as plantações. Com está mudança no tempo, quais preocupações terão agora as nossas autoridades, responsáveis pelo controle da pandemia?
            O tempo frio fez surgir em mim uma nostalgia dos tempos em que  eu não temia a doença porque acredita que a minha juventude  venceria qualquer combate interna de anticorpos e intrusos. Hoje, com as orientações maciças sobre quem pertence ao grupo, do qual faço parte, tudo deixa - me apreensiva, assim, nada fiz hoje, nem sequer  consegui tomar sol porque de manhã, antes da chuva, o céu estava nublado. Não fui à feira, em virtude do constrangimento com a carona no sábado passado e como a motorista não enviou mensagem   perguntando  se eu queria ir com ela, achei mais prudente, apenas enviar uma mensagem, agora a tarde, para saber da cachorra, que está um pouco adoentada.   Quão vazios está o relacionamento entre vizinhos nesta pandemia. Quando contatamos um, é para falar das últimas estatísticas e não adianta  puxar assunto  para comentar um filme ou outro assunto porque não vai adiante.
            Em quarentena, por menor que seja um problema doméstico, que em outros tempos ele passaria despercebido, agora, ele toma proporções gigantescas e comigo e o pernilongo não foi diferente. Faz  uns três dias que eu andava ás turras com o maldito inseto, limpeza na casa, aplicação de inseticida, queima de incenso, uso de repelentes e perfumes, nada o espantava, até que hoje, quando eu menos esperava, eu venci a batalha. Enquanto arruma a mesa para  o último lanche do dia, eu o ví na parede, encolhido pelo frio e sem hesitar, pequei uma almofada e  parti para o ataque. O  sangue que ele sugou de mim, tingiu a parede e eu limpei a sujeira com prazer porque agora  não serei mais  picada. Não é que eu seja sovina  e esteja negando umas míseras gotas de sangue a um mosquito faminto, é medo que o intruso seja o estrangeiro Aedes Aegypti, o transmissor da Dengue, Chikungunya, Zika e da Febre Amarela urbana. O Aedes Aegypti, junto  com o Covid-19,   formam   a dupla de  imigrantes  mais indesejada e temida do país. Diante  da periculosidade dos forasteiros, o  pernilongo nacional passou  a ser considerado tão inofensivo quanto uma folha seca, mas que é irritante, disto não resta a menor dúvida.

Diário do isolamento social- 45º dia

                         
            1º de maio, dia do trabalhador! Uma data que sempre foi marcada por festividades, hoje, nada  se tem para comemorar. O covid-19 avança, empresas  fecham  as portas e há demissões em massa;   em muitas situações, os  empregados não  recebem  os seus direitos  porque a empresa não tem como pagá-los. Isto é prenúncio de fome e violência. Tempos mais difíceis estão por vir para aqueles que são o alicerce da nação: o Trabalhador!             Diante de tanto sofrimento e miséria  que estão vivendo os empregadores  e funcionários, sinto  necessidade de agradecer  aqueles que um dia deram-me  a oportunidade de  ganhar o meu sustento e graças a eles, hoje eu usufruo o  benefício da aposentadoria e espero continuar a recebe-lo durante e pós pandemia.
            Comecei  minha vida laborar recebendo meio salário mínimo, sem registro em carteira e agradeço ao  Senhor José Pereira, (in memorian)  o meu primeiro emprego, onde aprendi  responsabilidade e administração financeira e foi graças as minhas economias e experiência adquirida que consegui  transferir minha base residencial para  uma cidade de médio porte.
            Nesta cidade passei por humilhações e privações, porém, consegui o meu primeiro registro em carteira, passei a receber um salário mínimo, sem benefícios como  vale transporte, cesta básica e convênio médico. Eram tempos difíceis, mas agradeço   profundamente ao Senhor Onésimo ( in memorian) a oportunidade e graças a mais esta experiência adquirida, pude realizar o meu sonho de morar na capital.
            Na capital, os dois primeiros anos foram de muito trabalho e humilhações, pouco dinheiro e nenhum benefício, porém,  foi neste local que  desenvolvi resiliência  e  tive a chance de mudar para melhor, portanto, sou grata a Senhora Tânia, que tanto me fez sofrer como também  me fez amadurecer.
            Sou profundamente grata a  multinacional que me admitiu em seu quadro de funcionário, pagava bem, com benéficos e, infelizmente eu não soube aproveitar a oportunidade. Tanto ofereceram e eu ignorei, sonhando com um mundo de glamour que nunca se realizou. Ah! Imaturidade quão cruel tu podes ser!
            Meus últimos anos  de trabalho foram  exaustivos, porém, graças a ele, eu fechei  o ciclo laboral e  fui agraciada com a aposentadoria,  não é muito, mas  garante o meu sustento. Sou grata, sou grata, sou grata! Peço a Deus que abençoe e proteja patrões e empregados. Que está crise chegue ao fim, e  que a vida volte ao seu ritmo normal.
           














           

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Diário do isolamento social.44ºdia

                      Sempre fico feliz quando eu saio de  casa, mesmo  que sendo por pouco tempo. Fui ao supermercado  e fique  surpresa com os cuidados. Assim que peguei o carrinho, um jovem aproximou-se  além de   oferecer-me  álcool gel  passou no carrinho; funcionários  e clientes todos  com máscara e  na fila do caixa, respeitando o distanciamento. Isto é bom, sinal que as pessoas já estão conscientizando-se da  importância da prevenção,  mas já na rua, a realidade é outra, principalmente os ciclistas  que são descuidados no trânsito e com a própria saúde e  com a do outro. Às vezes, tenho medo de estar desenvolvendo T.O.C. Para sair, além da máscara, coloquei turbante e usei os sapatos que ficam no hall. Assim que cheguei, coloquei as compras em cima da mesa e fui direto para o banheiro, tomei banho, lavei cabeça e  até a  toalha de banho foi direto para a máquina. Após  limpar e guardar a compra, passei pano  na cozinha com água sanitária.  Estes cuidados excessivos   me faz lembrar a teoria de  minha avó,  Dona Aninha, ela sempre dizia que  um pouco de sujeira faz bem para desenvolver imunidade,  mas  em meio a uma pandemia, acho melhor acreditar nas orientações da ciência e seguir com as orientações dos profissionais especializados. É trabalhoso, mas é para o bem comum!
            Que bom seria se as balizas dos  representantes do povo fosse o amor ao próximo e atenção com os mais vulneráveis, mas o que eu tenho  visto, lido e ouvido é que na luta  contra o inimigo invisível, alguns políticos estão mais preocupados é com as próximas eleições e  com a velha prática de  desvio de verbas. Merenda escolar estocadas em galpões e  crianças  com fome é apenas um dos desmandos.  As denúncias de uso ilícito da verba destinadas ao combate do Covid-19 crescem com a rapidez de erva daninha durante o período das águas. Crianças, idosos,  quilombolas e indígenas não estão recebendo  o que lhes é de direito: respeito e cuidado.
Quinta - feira, 30 de abril de 2020 
19h 49 minutos
Temperatura: 28º graus
Umidade relativa do ar 63%
           

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Diário do isolamento social, -43º dia

                               Hoje eu tenho muito a agradecer! Meu dia foi bastante produtivo. Pela manhã eu dei uma geral no banheiro,  depois fui tomar um pouco de sol, enquanto absorvia a vitamina D, uma amiga telefonou-me e falamos bastante sofre a fragilidade emocional    atual. Somos apenas orientados a ficar em casa, podendo sair para ir a farmácia, supermercados, olhar pela janela, ouvir música, contatar as pessoas via redes sociais e não estamos conseguindo e o sofrimento maior é o das crianças e  adolescentes. Com os nervos à flor da pele,  a principal agente de violência contra a criança, “a mulher” está ao  lado do rebento vinte e quatro horas. Pobres viventes que sequer contam com o apoio da professora, para desabafar as suas dores. É sabido  o papel importante das mestras da educação infantil  no acolhimento e busca de ajuda para estes  pequenos e vulneráveis seres. Outro foco de nossa discussão girou em torno dos judeus, perseguidos pelos nazistas que ficavam escondidos em porões, sem vez a luz do sol e ventilação, sem poder fazer barulho, sempre a temer  uma invasão. E sobreviveram! Concluímos que  nós duas somos emocionalmente frágeis e resiliência não é uma de nossas qualidades.
            Após o almoço, graças a  Deus eu estava  disposta e a umidade relativa do ar baixa, eu aprovei para limpar o interior do guarda-roupa e sapateira. Amanhã espero levantar com o mesmo pique de hoje para dar continuidade a limpeza porque  há previsão de chuva  a partir de sábado e  nesta época do ano chuva é igual a umidade que é igual a mofo, então, é melhor prevenir. No mundo da política, muitas coisas podem ter acontecido, mas eu não soube nada  porque  hoje eu optei pela audição de músicas antigas, aqueles bem do fundo do baú como “ Eu só peço a Deus” com Mercedes de Sosa e Beth Carvalho. Eu gosto muito do repertorio  destas duas divas da canção latina.
Quiçá amanhã eu acordei feliz e com disposição para cuidar de meu lar e de meus estudos. Santa Catarina de Sena olhai pelos profissionais da saúde e por mim.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Diário do isolamento social -42º dia

                              E mais um dia se vai. No recinto de meu lar nada acontece. Preparação de alimentos, cuidados com a casa e o mínimo possível porque  está faltando disposição. Sei que  tenho que agradecer a Deus por  estar em situação de  cumprir a quarentena. Fico a  pensar nos profissionais de limpeza, que normalmente residem em periferias, enfrentam ônibus lotados, embora a orientação é não ter  nenhum passageiro de pé. Nestas condições,  eles já chegam cansados  no trabalho e com a preocupação de não serem contaminados e levarem o vírus para  a família.  O Covid-19 é um penetra que adentra nos lares sem pedir licença e chega para ficar. Estes profissionais são os verdadeiros heróis anônimos e, infelizmente ninguém reconhece o valor desta categoria, que em sua humildade, são verdadeiramente essências.  Hoje eu entrei no fale conosco de um hospital  público e fiz um agradecimento  e espero que chegue até eles.
            Em minha redoma, quase não  sei o que acontece no mundo, e as poucas notícias que ouço, esfacela o meu coração porque os criminosos aproveitam da vulnerabilidade  das pessoas e atacam.  A cada dia cresce os casos de pedofilia, abuso sexual, violência doméstica e crimes cibernéticos e tem mais: firmas quebrando, demissões e  consequentemente aumento de criminalidade. São tempos difíceis!