terça-feira, 14 de abril de 2020

Diário do isolamento social 27º dia

                 
            Se estivéssemos vivendo em tempos normais eu direi que finalmente, a vida voltara ao  normal, pois já  havia passado o carnaval e a Semana Santa, porém, em tempos de pandemia é tudo diferente e novo para todos nós. Ninguém sabe ao certo o que está por vir.  A quarentena continua e as mortes também. Morre-se de Covid-19, de fome e em decorrência de violência doméstica. O crime organizando continua tocando o terror. Acredite! Eles estão  roubando cargas de materiais necessários para a prevenção e combate à epidemia. Testes, máscaras, álcool gel e sabe Deus o que mais, para  explorar a população desesperada, vendendo  superfaturados.
            E o preconceito e descrença nas  orientações  das autoridades de saúde à população cresce em progressão geométrica:  Um absurdo! Em  uma cidade, que não recordo o nome,  profissionais de saúde e  o  paciente que deu positivo para o Covid -19 estão sendo hostilizados pelos moradores. A ignorância chegou ao ponto de pessoas não entrar em elevadores com  enfermeiros. Será que eles, em um leito de  hospital irão  expulsar os médicos e enfermeiros do quarto? O paciente está sofrendo agressões  em suas redes sociais. Hoje é ele, amanhã poderá ser qualquer um deles, como não pensam sobre esta  probabilidade? Vírus não tem preconceito, atacam do indigente ao Presidente da República.  
            E a ignorância não para por aí. Em todo o país, pessoas estão circulando  pelas ruas e trabalhando sem máscaras e aqueles  que foram agraciados com os seiscentos reais do  governos, ao ir à Caixa Econômica  resgatar o benefício, além de   estarem sem máscaras, aglomeram-se nas filas que estão bem maior  do que a esperança de pobre em dias melhores. E tem mais absurdo acontecendo. Um grupo de 31 pessoas, invadiram o  Parque da Serra de  Caldas Novas, no sul de Goiás, para tomarem banho de cachoeira. Além de descumprir o decreto de isolamento social, invadir  a área de preservação ambiental, ainda deixaram um rastro de sujeira próximo á cachoeira. Felizmente  foram autuados em flagrante.
            Entre tantas noticias ruins, há algumas  coisas boas acontecendo. Em Divinópolis, MG.  A Polícia Militar e os agentes de  saúde saíram ás  ruas para orientar a população sobre os cuidados necessários para  evitar o contágio e dispersar as aglomerações. Contaram com  o apoio de um carro de som. A cidade já contabiliza  uma morte, vinte e seis casos confirmados e 909 suspeitos.
            Em São Paulo, SP, o epicentro  da epidemia,  está com um crescimento diário de 5% de contaminação. Os ônibus circulam lotados,  trânsito congestionado, as praças estão sendo invadidas pela população, e as  pessoas  se aglomerando nas calçadas.
            Mas nem tudo é ruim, uma senhora de  97 anos, recebeu alta.  Em seu tratamento, um dos medicamentos utilizados foi Hidroxicloroquina. Uma esperança no ar e tenho que a certeza que tempos melhores estão por vir  em breve. Aguardemos! E eu continuo em casa com a mesma rotina.
13 de abril de 2020


domingo, 12 de abril de 2020

Diário do isolamento social 26ª dia

                                       Enfim Domingo de Páscoa! Foi um dia atípico, não fui a igreja, porém,   consegui sintonizar um canal de TV  católico e  assisti à Eucaristia  no conforto do meu lar, bem melhor seria  na catedral que frequento a mais de 70 anos. Ver pessoas, conversar, comungar, ouvir as belas canções sacras se Deus quiser, em 2021, se cá eu ainda estiver. Não ganhei e nem ofereci nenhum ovo de páscoa, até o  meu almoço foi difícil  conseguir fazer algo diferente, diante da escassez de  mantimentos em meus armário. Consegui improvisar uma paella com  arroz vermelho e sobras de  carnes  congeladas. Ficou gostoso e eu comi bem mais do que devia, agora estou pensando em dormir sem  jantar. Sem  fazer academia e caminhadas, todo cuidado é pouco, porque  acumular gordura é fácil, perdê – las, pelos caminhos do Brasil  é dificílimo.
        Hoje eu não apaguei as mensagens de WhatsApp  sem ler  porque eu esperava apenas mensagens de boa nova, de renascimento, de esperança em dias melhores, porém, continua chegando mensagens sobre o Covid 19, obviamente eu deletei  99%  sem lê-las. Um vídeo chamou a minha atenção e assisti até o final, era do  médico e  vereador, Dr  Velano, de Divinópolis, MG, no qual ele defende  o isolamento vertical e orienta como o trabalhador deve proceder ao retornar ao lar e são orientações bem simples  e fáceis de ser executadas, segundo ele, é necessário que ao chegar em casa:
 Ir direto ao banheiro,  limpar os sapatos, tomar banho e  trocar toda a roupa.  Usar álcool gel nas mãos, colocar a máscara e somente depois conversar com os familiares. Ele disse  conversar e fica subentendido que nada de abraços e beijos tão apreciados por nós, os latinos.  Ele orientou também que os empregados devem exigir do patrão condições seguras de trabalho.  Consegui localizar o endereço on-line dele e  lhe enviei uma mensagem parabenizando-o  por defender sua posição com  clareza visando o bem estar de todos. Não sou de compartilhar nada   relacionado ao Covid 19 por receio de  ser fake News, mas este vídeo  eu compartilhei  por achá-lo sensato e com dicas exequíveis. E nada mais aconteceu além do tedioso esperar o passar  das horas para terminar o dia, a noite chegar e começar tudo de novo, no próximo amanhecer. Ainda temos mais 12 dias de quarentena!
Que Jesus Cristo, em sua infinita bondade, dê sabedoria aos nossos governantes  para que saibam conduzir   o país, neste momento difícil e ao povo, discernimento entre o  querer e o poder.
Domingo de Páscoa, 12 de abril de 2020
17h17 min
Temperatura 27º graus
Umidade relativa do ar 60%

sábado, 11 de abril de 2020

Diário do isolamento social 25º dia

                                       Hoje  amanheceu frio e nublado e  se por um lado é bom porque refresca, por outro lado é péssimo porque  com o tempo fechado os jovens assaltantes fazem a festa, aproveitam que não tem ninguém lavando calçada, passeando com o cachorro e como continua a quarentena, o comércio  está fechado , assim,  as condições estão propícias para o meliante e eu tive que ir a feira. Felizmente, duas vizinhas, com medo de irem só convidaram-me, em  três  é mais seguro.  De posse de nossas máscaras,  fomos em busca de verduras, legumes e frutas. Como elas optaram por ir depois do meio-dia,  horário do início da xepa, a feira estava lotada, pessoas sem a proteção, sem álcool gel nas barracas, e ninguém mantendo a distância de dois metros, tão recomendada pelas autoridades de  saúde.  É difícil acreditar, mas a maioria dos feirantes estava com a máscara apenas para não serem multados, ela fica no rosto, mas abaixo do nariz.
            Felizmente não fomos abordadas por nenhum malfeitor e cheguei a casa  com sacola cheia, com a benção de Deus!  Após tomar banho, lavar a cabeça  e a roupa  que foi direto para a maquina, lavei as frutas e  legumes; as verduras eu lavei com detergente, de uma maneira simples, lavo-as em água corrente, depois coloco em uma bacia com detergente e na sequência, enxaguou novamente. Claro que também passei  pano na casa com água sanitária e lavei todos os tapetes da casa.  E   agora, estou com muita dor nas costas, em virtude dos esforços do dia.  Mas valeu a pena,  comprei duas bandejas, com cinco caquis cada, por apenas R$5,00 reais. Que saudade eu estava de ir à feira. Não comi o tradicional e mais gostoso  pastel da região porque a aglomeração em frente a barraca estava grande e quando tudo isso passar, degustarei todos os sabores para matar a saudade.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 24º dia

                       Hoje foi um dia produtivo e estou grata a Deus por ter conseguido vencer  o  desânimo  e executado inúmeras tarefas, mesmo sendo Sexta – feira  Santa. O dia amanheceu  ensolarado, temperatura agradável, porém, sem a menor possibilidade ir a igreja participar das atividades da Paixão de Cristo, simplesmente porque elas não aconteceram, e acredito ter sido a primeira vez no Brasil. Após o café da manhã, coloquei a roupa de cama na máquina e  enquanto batia,  eu  aproveitei o  pouco sol que entrava pela janela da cozinha. Enquanto desfrutava dos abençoados raios  solares, assistia pelo celular, o   emocionante filme: Karol- o homem que se tornou Papa. Eu não tinha ideia da importância que ele teve para os poloneses durante os terríveis anos das invasões  alemã e russa.  A sua força e luz interior acalentou  milhares de almas atormentadas pelos horrores da guerra. Ele viveu e pregou o amor, a ética e a coragem, um filme para ver sempre que  sentir perder as esperanças.
            Com a alma renovada,  graças a luz de Karol, eu preparei  o almoço, uma salada de  macarrão com atum e rúcula,  porém, quando  terminei de almoçar e fui preparar um chá, o gás acabou. Telefonei na empresa e fui atendida prontamente. Felizmente o preço  ainda não está abusivo, continua os  mesmo oitenta e quatro reais que paguei o  mês passado.  O medo de ser contaminada com Covid-19 está me deixando paranóica e tive certeza disto hoje. Quando o rapaz do gás saiu, fui acometida de uma  preocupação exagerada com a limpeza da casa,  varri,  passei pano com água sanitária,  lavei os tapetes, limpei maçanetas, chaves e somente  me senti segura, depois de ter tomado banho e  trocado  toda a  minha roupa. Ser idosa não é fácil e paranóica   fica difícil viver e conviver.
            Enquanto fazia as atividades domésticas, fiquei atenta ao noticiário do rádio, e com dor no  coração  eu ouvi a triste  notícia, que três indígenas, de etnias diferentes morreram vítimas do Covid-19.  Quando morre um índio, não é apenas uma biblioteca viva que se perde, mas também um guerreiro que luta para preservar a natureza, suas tradições e suas terras sagradas. A luta indígena  pela gleba e costumes ancestrais beneficia todo o planeta. Eles são mais vulneráveis  e o risco de um genocídio não é uma possibilidade  remota. Que Deus ilumine as autoridades brasileiras para que tomem atitude certa, na hora certa e que a vida siga em toda a sua plenitude.
            Outra notícia que chamou a minha atenção  foi a de um jovem repórter revoltado, porque ao se dirigir para o trabalho  na emissora de rádio, ele passou por uma praça e ela estava lotada de pessoas fazendo piquenique, com toalhas,  cestas de alimentos e  até cadeiras de praia. Eu compreendo a revoltada dele. O comércio fechado, empresários falindo, funcionários em casa, recebendo  sem trabalhar, para não se contaminarem e se aglomeram voluntariamente, em um espaço público; em meu entendimento não é nada   honesto e de  uma irresponsabilidade sem limites. Certo está o prefeito de  São Paulo que fechou os parques e os prefeitos do litoral paulista que fecharam as praias porque responsabilidade social, parece não ser uma qualidade  de grande maioria dos trabalhadores paulistanos.
Sexta-feira, 10 de abril de 2020 
18h32 min
Temperatura -26º graus
Umidade relativa do ar 61%
           
           

Diário do isolamento social 23º dia

                 
                    E o dia findou sem maiores percalços e, como  eu não tive disposição  para assistir televisão, ler e menos ainda, para as atividades doméstica nada fiz, senão pensar no que acredito que poderia ser feito para tornar  o enfrentamento do Covid-19 menos tedioso e mais  produtivo. Não sei se estou certa,  mas ainda tenho o direito de refletir  sobre a situação do momento e, pelo visto, o único direito que nós  idosos ainda temos. E entre os  milhares de pensamentos  inúteis, recordo alguns:
          Soube que há vários municípios brasileiros, acho que três mil, se não me falha a memória, em que não há  um caso    suspeito de  Covid-19. Acredito que o  Presidente deveria  reunir com os governadores e orientá-los a reunirem-se com os prefeitos  para  estudar a possibilidade de isolar estas cidades, podendo apenas sair  caminhoneiros para escoar a produção e entrar somente caminhões com produtos essências.
          Os prefeitos das cidades isoladas poderiam alugar um hotel para   que os caminhoneiros, mesmos moradores da cidade,  tenham lugar para dormir, fazer as refeições e tomar banho. Claro que é fundamental treinar os funcionários dos hotéis, com o protocolo de profilaxia  hospitalar, o que é fácil, qualquer  enfermeiro pode ministrar um treinamento básico.
A economia continuaria girando e o avanço do vírus reprimido e, nas cidades em que a doença está estagnada,  o trabalho poderia voltar por sistema de rodízio, por exemplo, na segunda-feira, abriria o comercio de tecidos, na terça-feira,   grandes magazines e assim sucessivamente. Esta medida iria controlar o fluxo de pessoas nas ruas, ah! Mais uma medida  importante:  orientações  para manter o distanciamento social e  o uso obrigatório  de máscaras  para os  trabalhadores e todos transeuntes.
            A população brasileira está passando fome; fome baixa imunidade, as autoridades poderiam distribuir polivitamina para a população carente e    orientá-las a tomar sol para estocar a vitamina D antes que o inverno chegue, mesmo que seja  apenas aquela fresta de luz que entra pela janela do apartamento. Como grande parte da população não dispõe de saneamento básico um controle de vermes é fundamental. São apenas devaneios de uma idosa cansada do confinamento.
Quinta-feira, 09 de abril de 2020
22h 32 min
Temperatura – 25º graus
Umidade relativa do ar 59%

quarta-feira, 8 de abril de 2020

diário do isolamento social- 22º dia

                                      A chuva  de ontem perdurou até hoje, durante todo o dia e acredito que continuará a noite também, o que é uma pena, hoje  é o dia mais belo da lua rosa,  que será a mais bela do  ano, segundo os especialistas; acabei de olhar o céu e somente nuvens escuras eu vejo. As poucas notícias que vi não são boas, os  indígenas da etnia Karipuna, avistaram quatro invasores, limpando uma área,  a menos de  dez quilômetros da Aldeia Panorama, onde  vivem e,  estão em isolamento  para evitar contágio. Eles estão em alerta por causa da pandemia do Covid -19  e  da possibilidade de nova invasão de grileiros e madeireiros em seus territórios tradicionais.  A luta pela vida dos Karipuna é árdua. Na década de 1970, eles quase foram exterminados por doenças transmitidas durante o processo de contato com os não índios e ficou reduzido a quatro pessoas,  dois adultos e duas crianças, a luta pela vida foi mais forte e hoje  já são  58 pessoas e que Deus os proteja para que possam   multiplicar cada vez  mais e contarem a sua história aos  descendentes de seus descendentes.
            Para completar o rol de noticias tristes, Santos, SP,  contabiliza 151 casos de pessoas contaminadas com o Covid-19, e 10 óbitos confirmados. Para frear o avanço do vírus, o Prefeito conseguiu um hotel para os profissionais que estão na linha de frente, diminuindo assim o risco de contaminar os familiares.  Também restringiu o acesso á praia e calçadão e estão orientando os viajantes, com placas de outras cidades  que tentam adentrar  ao município para que retornem ao seu lar e voltem posteriormente, quando o isolamento social estiver chegado ao fim e a rotina da cidade à normalidade. Aí sim, serão bem-vindos. Gostei das medidas, é dever da autoridade municipal proteger os munícipes.  
            Não sei mais o que aconteceu no dia. O pouco tempo em que fique com a televisão ligada, não prestei  muita atenção ao noticiário. Tudo está ficando tão repetitivo, que  perdi o interesse pelo que está acontecendo no mundo.  Tenho feito um esforço enorme para conseguir ler um pouco, estudar inglês e  cozinhar. O estoque de alimentos já está desfalcado e , quando penso em um prato diferente, sempre falta algum ingrediente o que inviabiliza a feitura  e eu me vejo obrigada a continuar a mesmice de do dia a dia, o tradicional  trivial simples.
            A experiência  da quarentena  fez-me refletir  sobre a honestidade e conclui que tenho que estar sempre dentro das Leis de Deus e dos homens, porque se algum dia, eu for presa por algum delito, acredito que não sobreviverei a privação de  minha liberdade. Em meu lar, com data prevista para acabar, já está  um tormento,    imagine ser confinada em cela, com outras detentas com perfis e histórias de vida  variadas?  Deus me livre e guarde!
           





terça-feira, 7 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 21º dia

                                      Acordei com o vento soprando forte. Ele trouxe, não sei de onde, as nuvens de chuva. Uma chuva fina, fria e contínua começou cair; um alento para quem está em quarentena porque  assim, as saídas ás ruas estarão dificultadas e a ansiedade relacionada a proibição passa. Somente nós, idosos, sabemos o quão difícil é sair à rua  em dias chuvosos porque somos mais lentos, nosso equilíbrio  já está comprometido pelo peso dos anos, os óculos embaçam, a audição já não é boa  e voz, também enfraqueceu, o que dificulta o pedido de socorro, em caso de uma queda mais séria, porque os tropeços e escorregões, já fazem parte de   nossa rotina. Envelhecer é difícil, principalmente em tempos de pandemia quando há distanciamento social. Ninguém estenderá a mão a uma velhinha.
            A chuva chegou e com ela, a queda na temperatura, isto é preocupante porque o Covid -19 aprecia temperaturas amenas e, sem  o melhor germicida do universo, os raios do sol,  a possibilidade de contágio é maior, assim, só nos resta uma única alternativa: recolher-nos em nossa solitária  morada. Tempos Difíceis!
            Hoje mantive  a abstinência de notícias, apenas fiz as atividades relacionadas a alimentação e iniciei a leitura de um livro  interessante. “A linguagem das cores” de René- Lucien  Rousseau.  Embora eu  ande descrente de tudo, estou gostando, ajuda a  matar o tempo. Ninguém tocou a campainha, nem interfonou. Percebo que com o decorrer dos dias, as pessoas estão aquietando-se em seus lares, até as postagens em redes sociais têm caído, eu tenho tempo para  postar, mas falta-me  ideias  e disposição.  E assim mais um dia se vai e só me resta recolher aos meus aposentos e ouvir o ruído suave da chuva que caí.
Terça-feira, 07 de abril de 2020 
Temperatura- 26º graus
Umidade relativa do ar 75%