terça-feira, 28 de abril de 2020

Diário do isolamento social - 41º dia

                                    Estou feliz! Hoje recebi uma benção e agradeço muito a Deus por ter conseguido, finalmente, comprar  as rosas encantadas colombianas e pela metade do preço. Comprei três na cor amarela, a cor do sol,  do intelecto e espero que ela  desperte a alegria e disposição de quem irá  recebê-las. Uma é para uma amiga muito querida, cujo peso dos anos tem pesado mais em seus ombros do que nos meus e em seu confinamento, sem poder frequentar as aulas de ikebana,  acredito que ficará muito feliz  e, segundo a propaganda, poderá desfrutar da companhia  da rosa por dois anos.  A segunda, o destino é o trabalho do  meu  crush. Eu tenho ciência que ele está  afastado   por ser  idoso, mas fiz de propósito, para causar  mesmo. Em nossa cultura, não é comum homem receber flores, principalmente uma rosa encantada colombiana e ainda  sem um motivo aparente como  aniversário, dia dos  namorados. Mas o meu objetivo  não é celebrar, e sim deixar que a maledicência das colegas de profissão trabalhe a meu favor  e ponha fim as prováveis aventuras sentimentais  dele, ando meio desconfiada que ele está saindo com outra e, diante de algumas evidências, sempre é bom marcar território e de lucro, proporciono a ele a emoção de receber flores, talvez assim ele lembre de oferecer-me um buquê, afinal, 12 de junho está próximo. Assim que o isolamento social acabar, vou enviar uma cerveja sem álcool  para a residência dele, é importante que ele não esteja em casa, assim não terá como  omitir o presente e  optei por ser um produto não  alcoólico apenas  para  provocar fofocas e   o máximo possível de especulações. A outra rosa encantada é para mim, para alegar os  meus tristes e solitários dias. Ela há de trazer-me disposição e perseverança. Estou ansiosa para a chegada que deverá acontecer na próxima segunda – feira. Santa Teresinha das Rosas, derrame suas bênçãos sobre estas três rosas encantadas e que seja a benção que cada um de nós mereça. Amém.  Quando fui à agência bancária efetuar o pagamento, senti muito medo, apenas  os caixas eletrônicos estão disponíveis, sem segurança, álcool gel e muito movimento, clientes sem máscara como se   o risco de ser contaminado não existisse.
            Mas nem tudo  são flores e  as picuinhas do coração parecem tão pequenas diante do sofrimento  que os profissionais de saúde estão  vivendo. Houve várias denúncias que eles estão sendo orientados a evitar ir ao banheiro para economizar IPI. Imagine o sofrimento destas pessoas cujo trabalho provoca desgaste físico e emocional e ainda sem poder aliviar suas necessidades fisiológicas? Piedosa Santa Catarina de Sena, proteja estes profissionais essenciais, que  nos momentos mais difíceis, estão ao lado dos pacientes, cuidando e confortando e neste tempo de pandemia, abdicando  de sua família para cuidar de nós.

domingo, 26 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 40 dia

                                    Domingo, 26 de abril de 2020, 19h30minutos, temperatura de 76º graus e  umidade do ar 69% e já está findando o meu quadragésimo  dia de isolamento social e não tem sido fácil. A rotina massacrante absorve a conta gotas a minha  vontade de viver  porque tudo é tão repetitivo: ver TV, ouvir rádio,  jornais, redes sociais. Admito que eu ainda não entrei em processo depressivo graças aos vídeos da palestrante Márcia Luz; nestas duas  últimas semanas, tenho assistido  religiosamente um, e graças a sua autoconfiança e sua  inabalável crença no poder da gratidão, eu estou reagindo ao ócio e a solidão. Márcia Luz faz perguntas instigantes  e algumas delas, abriu a porta secreta de meu  coração, onde estavam armazenados a mais de 50 anos, ingratidão e vergonha. Confesso que deixar sair estes dois sentimentos está sendo libertador.  Eu tenho muita vergonha e bastante remorso por ter indo embora da casa de minha cunhada sem me despedir, na calada da noite, como uma ladra. Ela recebeu-me em sua casa, alimentou-me  no momento mais difícil de minha e nada cobrou. Amparou-me  quando  ninguém mais me valeu, nem mesmo meus pais, que têm  o dever moral de amparar-me, porque sou filha deles. Graças aos exercícios de Márcia Luz, este episódio de meu passado vergonhoso  surgiu das trevas e, passados tantos anos, eu não consigo entender porque eu  agi daquela maneira: insegurança?  No anoitecer de minha maturidade, vejo que tudo poderia ter sido tão simples:  bastava dizer  que eu agradecia muito  a acolhida, mas  era o momento de  eu partir, de iniciar nova vida em outra querência.  E  esta não  é a única razão de minha angústia. Durante todo o período que lá morei, eu nunca ofereci uma ajuda em dinheiro para cobrir os gastos com alimentação, água e luz. Meu Deus! Como fui  oportunista e ingrata. Que vergonha! E tem mais! Eu parti e recomecei a vida em outro   rincão e não dei mais noticias.  Sei que ela ainda vive e minha covardia sequer permite que cogite a possibilidade de ir vê-la e pedir - lhe  perdão pelo que eu  fiz.
            Fazendo uma retrospectiva, vejo que a covardia  em  relacionamentos familiares é o meu maior tormento, minha fiel fraqueza. É doloroso perceber, agora, com  mais de sete décadas de vida, que o meu discurso não é compatível  com as minhas ações. Sou defensora do diálogo, mas nunca fui capaz de conversar para resolver os problemas e sempre acabei optando pela fuga e distanciamento da situação e, com esta atitude covarde, feri pessoas boas e solidárias, e o mais triste, acabei com a possibilidade de uma convivência familiar harmoniosa. Se estou sozinha  hoje é porque há muitos anos eu plantei as sementes da solidão.  Estou com um aperto no peito, quero chorar e não consigo. Que bom seria se as lágrimas  rolassem generosamente em meu rosto e pudessem lavar esta angústia que cresce em meu peito.  A quarentena propicia a gente estar a sós com os nossos fantasmas. Que o Deus de Abraão , Jacó e Isaac  derrame suas bênçãos sobre mim e  já que eu não posso mudar o meu passado, que eu  saia uma pessoa melhor deste isolamento social.
Com humildade eu peço perdão  e expresso minha profunda gratidão, embora que tardiamente, querida  cunhada.

Diário do isolamento social, 39º dia

                   
            Tem se falado muito que  nesta quarentena as pessoas estão mais solidárias e amorosas. Mas na prática não é verdade e eu tive a  triste comprovação. Em meu condomínio, há poucas pessoas  idosas com carro  e  Antonia, costumava oferecer carona a Gilberta  quando ia ao mercado, eu também recebi esta oferta e aceite por duas vezes, porém, hoje não  eu não recebi a mensagem perguntando se eu desejava ir com ela, então, tomei a iniciativa e pedi carona. Antes de sair, comuniquei Gilberta para descer e nos encontramos na garagem, antes, avisei que à motorista que ela também ia. Foi constrangedor! Antonia ficou bastante irritada dizendo que ela não havia telefonado avisando que ia e humilhou uma senhora de 80 anos, pobre e sozinha. Chegou a dizer que deveria deixá-la. Diante deste episódio, eu decidi que não mais irei aceitar carona dela.  Hoje foi com  Gilberta, amanhã poderá ser comigo e é melhor não arriscar. Somente entrarei no carro dela, quando eu puder pagar  o preço do Uber. Não comentarei este assunto no bairro para evitar maiores  desavenças, quando se é sozinha, sempre é bom manter bom relacionamento com os vizinhos, principalmente nós, moradores da maior cidade do país. No mais o dia  transcorreu sem nenhuma anormalidade  e além dos muros, nada soube da demissão do Moro e do avanço do Covid-19, que são os únicos assuntos comentados pela mídia nacional.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 38º dia

                                 Hoje eu saí à rua. Tudo parecia mais bonito: o   céu azul, as nuvens branca; as cores das flores pareciam mais vivas, reluzentes e encantadoras  e eu tive o privilégio de ver inúmeras borboletas pelo caminho.  Os raios do sol aqueciam o meu  corpo  e eu os recebia como um abraço afetuoso e purificador, de tanto ficar em casa, eu já estava com a sensação de estar mofando. Caminhei  rápida e assustada  pelas ruas até a  farmácia, durante o trajeto cruzei com ciclista com aparência suspeita e inúmeros transeuntes sem o uso da máscara, que as autoridades tem repetido a  exaustão, a sua importância para o bem estar de todos. A caixa  não  usava luvas, mas a sua máscara chamou a minha atenção, de material transparente, parece aquelas usadas pelos soldadores, para a proteção da vista. Gostei do modelo, porém, o preço é salgado, custa R%25,00 reais. Aproveitei e fui ao supermercado, fiz umas compras essências e espero que durem até  o  início de maio. Antes do relaxamento  da quarentena, quero  retornar  ao estabelecimento para repor  o já  consumido porque continuarei o isolamento por conta própria. Após a abertura do comércio, acredito que haverá  uma corrida  ás lojas e  os meliantes, ávidos  para conseguirem dinheiro e sem muito trabalho não medirão esforços para assaltar o tão sofrido trabalhador brasileiro.
             Somente ao chegar a  casa é que soube da saída do Ministro Sérgio Moro. Não entendo de política, não sei se isto é bom ou ruim para a nação  e menos ainda para ele, que abdicou de 22 anos de  magistratura para fazer parte da equipe do governo.  Como sou livre para pensar, fico a divagar  se  o convite   para assumir o Ministério da Justiça foi uma armadilha para que ele não continuasse à frente de investigações  sérias como as da Operação Lava Jato? Em seu pronunciamento, ele disse  que não fez fortuna e que irá procurar emprego, mas a impressa especula que ele irá se candidatar a presidência da República nas  próximas eleições, se isto acontecer e cá eu estiver, meu voto será dele e por livre opção, eu já sou dispensada das obrigações eleitorais. Dentro em breve saberemos a verdade, por hora, poucas notícias sérias e inúmeras  fake news.
            Nestas sete décadas de vida, confesso que nunca me preocupei com o número   de óbitos por ano, no Brasil. Como  hoje, a palavra morte é a que a gente mais  ouve, minha curiosidade foi aguçada então, resolvi fazer uma pesquisa on-line  e eu fiquei     estarrecida  com os  altos números e causas.
2018 -  4.490 pessoas morreram de tuberculose;
2019 – 289 mil pessoas não resistiram às complicações de problemas cardiovasculares e partiram  para o reino do céu;
2019 – 41.635 pessoas  perderam a vida em decorrência  de assassinato;
No Brasil, a cada  uma hora, cinco   pessoas  falecem vítimas de acidentes de trânsito;
Em  média, cinco mulheres  vão a óbito por dia, por questões relacionadas a maternidade.
 Assustada com os números, desisti de continuar a pesquisa e fiquei a pensar  se  o Covid-19 irá superar esta triste  estatística.  Somente   a ciência, a consciência e coração amoroso de Jesus para ter misericórdia dos brasileiros.
24 de abril de 2020  
20h19 minutos
Temperatura 27 º graus
Umidade relativa do ar ´70%
           

             

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 37º dia

                       
            Os dias seguem com a lentidão de uma boiada cansada, faminta e sedenta em uma estrada empoeirada, em um final de tarde quente. Eu estou cada dia mais desanimada, sem disposição para os estudos, afazeres domésticos,  até descer o lixo é um sacrifício, estou fazendo-o a cada dois dias, não por falta de tempo, que alias, é o que eu mais tenho.  Sobra tempo e falta ânimo. Acredito que ainda não sucumbi em uma depressão profunda porque tenho assistido diariamente  vídeos da palestrante Márcia Luz, embora não tenham  acrescentando muito, em termos de aprendizagem de conteúdo novo, diferente do  que eu já  tenha lido, porém,  o entusiasmo dela, a sua maneira firme e direta de falar e as perguntas pertinentes, tem sido de grande valia, como esta: “ Qual o meu objetivo a ser alcançado até o final do ano?” Confesso que fiquei  bem incomodada com este questionamento porque me dei conta o quão vazia é a minha vida. Eu não tenho nenhum objetivo em mente, nem sequer  havia pensado nisso na virada do ano como é de práxis e o mais lastimável é que, durante toda a minha vida, eu não persegui nenhum sonho com  afinco, somente corri atrás do mínimo para manter as contas em dia e comida na mesa e  sabiamente disse Márcia Luz, colhi o que plantei. Plantei pouco e consequentemente, pouco colhi, agora, lamentar os erros passados não irá levar-me a lugar  nenhum. Embora eu já não tenha idade para  iniciar uma nova carreira profissional,  começo a pensar seriamente em fazer algo de útil para mim, para o próximo e para o planeta, mas o que? Outra pergunta instigante foi: “O que eu perco se não mudar o meu comportamento atual?”  Esta pergunta é fácil de responder: Eu perco a solidão, o tédio da  longa espera de apenas aguardar a  hora de minha partida para a terra dos pés juntos, a ruminação de erros passados, a inveja daquelas  pessoas determinadas e bem sucedidas, as  horas entediantes fofocando com os vizinhos. É realmente, tenho muito a perder!  E cadê a disposição para  iniciar um processo de mudança?
            Hoje soube pouca coisa do que acontece além dos muros do meu  condomínio. Apenas que os bairros de Cidade Tiradentes e Sapopemba, aqui na capital, SP, estão com um alto índice de pessoas infectadas com o Covid-19 e o pior, os moradores não estão preocupados  com o  avanço do vírus, parece que para eles, é apenas mais uma  dificuldade   que terão que enfrentar, entre tantas da vida diária deles. A pessoa entrevistada disse que parece que todos estão em férias, estão  organizando bailes, churrasco, como se o inimigo estivesse a centena  de milhas deles, mas não é verdade, ele já chegou e pretende ter uma longa  e  funesta estadia entre os paulistanos. Quanto ao carro de som da Prefeitura, que deveria estar percorrendo os bairros periféricos  levando  informações  para conscientizar as pessoas da  importância da quarentena, ninguém ouviu, ninguém viu.  Eu fiquei deprimida com a reportagem sobre a  tradicional Galeria do Rock, que fica no centro; infelizmente ela já contabiliza 30 lojas fechadas e 400 demissões. É triste saber que mais 400 pessoas irão para a fila do desemprego, da  geladeira vazia e dos desejos reprimidos e postergados sabe lá Deus até quando.
            Triste também é saber que em meio a pandemia que assola  o mundo, quando o país está quebrando para conter o avanço do Covid-19 e  auxiliar os mais vulneráveis, há pessoas  usando de má fé e  fazendo  o cadastro para receber o auxílio emergencial, sem preencher os critérios estabelecidos pelo governo. De acordo com a  pessoa  entrevistada, que eu não  prestei atenção no nome e  cargo,  menores de idade, mulheres recebendo salário maternidade e também, mulheres casadas, cujos maridos estão trabalhando, estão tentando receber este dinheiro, congestionando o sistema e prejudicando a nação. São Jorge guerreiro, bota juízo na cabeça destas pessoas.
           

quarta-feira, 22 de abril de 2020

diário do isolamento social- 36º dia

                           

            O meu alento consiste na contagem regressiva para  o término da  quarentena e ainda faltam dezoito dias. Queria  ser criança novamente, para que no dia tão esperado,  poder sair correndo pelas  ruas gritando: Liberdade! Liberdade! Liberdade! Cansei da televisão, do rádio, do celular, do interfone, nada,  nada  dá-me  um pouco de alegria. Tenho tentado dar continuidade ao estudo do inglês, mas está bastante cansativo e improdutivo.  Limpar a casa, arrumar armários e gavetas é para mim um verdadeiro tormento. Cozinhar, que até então, era a atividade mais prazerosa está  difícil porque falta ingredientes para as receitas. Hoje eu encontrei na internet a receita  da tradicional sopa paraguaia, mas não tive como  preparar  porque o  queijo acabou faz dias. Improvisei um cuscuz paulista, e acabei perdendo o controle e comi bem mais do que devia e agora estou preocupada com a balança.
            A minha dor de garganta, embora de leve, ainda persiste. Tenho medicamentos em casa e eu estou receosa de tomar para não camuflar sintoma de uma possível Covid-19. Nesta época do ano, sempre tenho crises alérgicas, faringite, laringite. Pode ser apenas mais  uma doença  corriqueira, mas  em tempos de pandemia, tudo parece bem maior do que é. É medo da automedicação, de ir ao Pronto Socorro e entrar ruim e sair pior. Os Postos de Saúde  não estão atendendo e   consulta particular está  acima de minhas possibilidades. O jeito é apelar para as tradicionais receitas de famílias e assim, tomei chá de casca de cebola. Para ser bem sincera, não sei para que serve, mas tenho vaga recordação de ver minha avó preparar para a netaiada, quando  nós  estávamos   espirrando e tossindo. Agora é torcer para amanhecer bem mais disposta.
            A ociosidade, decorrente da quarentena,  traz reflexões inusitadas, que jamais teríamos em tempos normais. Passei o dia  a divagar  qual tipo de morte é menos sofrido. Morrer contaminado pelo Covid-19, de  fome ou  vítima de  violência?  Infelizmente, milhares de pessoas   vislumbram em seu horizonte, somente  uma destas três tétricas  opções, o que é  surreal em um país abençoado por Deus  com abundância de sol, água doce, terras aráveis e campos para  pecuária. Eu gostaria de  saber fazer alguma coisa para amenizar o desespero    daqueles que estão em situação da mais completa penúria, nem sequer posso sair para oferecer o meu abraço porque sou do grupo de risco. Este sentimento de impotência diante da fragilidade da vida  é doloroso. O trio das trevas avança sem clemência, liderado pelo Covid-19 e seguido pela fome e violência. Que Nossa Senhora cubra a nação brasileira com o seu manto e conforte o coração dos mais  frágeis e que Santo Expedito, como bom soldado,  agilize o fim da carestia e meu San Martin de Porres, cure  não somente  a nação brasileira, mas todas as nações do mundo.                           

terça-feira, 21 de abril de 2020

Diário do isolamento social-35º dia

                 
Meu dia decorreu na mais tediante rotina, apenas os afazeres domésticos e um pouco de leitura. Duas  datas importantes  e nada de comemorações, eu não assisti televisão, não sei se houve comemorações  virtuais. Há 60 anos o  presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1955-1960) inaugurava a nova capital do Brasil, no planalto goiano – Brasília. Sobre a transferência da capital do Rio de Janeiro, RJ   para Brasília, DF, O mineiro Carlos Drummond de Andrade, há muito tempo morador do Rio, assim resumiu seu sentimento,
 no poema “Canção do Fico”:
“Rio antigo, Rio eterno,
Rio oceano, Rio amigo,
O governo vai-se? Vá-se!
Tu ficarás e eu contigo.”
          Em plena quarenta, temos um feriado nacional, 21 de abril. É uma homenagem que a nação brasileira faz a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi enforcado em 21 de abril de 1792, devido ao seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Tiradentes se transformou no primeiro herói  brasileiro, assim que foi proclamada a nossa Independência em 07 de setembro de 1822.
Liberdade  e saúde para todos.