terça-feira, 12 de março de 2019

Coisas simples e boas



                    Ser feliz  é mais simples do que se possa imaginar! Ao  caminhar solitária pelas ruas em uma tarde morna de domingo e de repente, encontrar- se frente a frente com uma feira de produtos rurais a pessoa pode  desfrutar do sabor de outrora ao degustar um  pedaço de mandioca frita  acompanhada de um delicioso e calórico  torresmo e  se refrescar com um suco de pitanga bem gelado. As dores da alma irão desaparecer em uma nuvem de fumaça.
          Desembarcar pela primeira vez em uma cidade que não conhece, caminhar devagar pelas ruas com os olhos curiosos tentando  enxergar todos os pormenores das casas,  imaginar   como viviam os donos das mãos calejadas que  edificaram tão belas construções, nas pessoas que sonharam  em  construir um lar harmonioso e ainda, apreciar a beleza das flores dos jardins e  das sacadas e graciosas   borboletas pousando de flor em flor  em um disputa acirrada pelo  néctar com  coloridos, velozes e famintos beija-flores.
          Após bater o cartão de ponto, após um dia exaustivo de trabalho, encontrar uma pessoa querida e trocar  um dedo de prosa,  perambular pelas lojas do comércio de rua, sem a preocupação de nada comprar, apenas  especular preços e apreciar as novidades vindas da China, país de pessoas que, ao que tudo indica, tem a missão  de  criar  constantemente novidades, coisas inimagináveis para despertar a cobiça, principalmente das mulheres ocidentais.
          Viajar em  frações de segundo  por meio da leitura de poemas  perfeitos  e  prosa bem escrita e detalhada como  Grande Sertão Veredas do inigualável escritor mineiro, João Guimarães Rosa.  Ouvir música de madrugada e deixar  lágrimas saudosistas descerem livremente pela face  até se entregar ao braços de Morfeu.
          Após uma tempestade, passear livremente  pela  praia, ouvir o marulhar e apreciar  a beleza do arco-íris se perder nas águas profundas do mar enquanto gaivotas   dão voos  rasantes na tentativa de garantir o  seu jantar e de seus filhotes. Em passos lentos sentir a textura da areia, ver o céu  ir se colorindo suavemente e neste momento mágico de transição entre a despedida do dia e a chegada da noite  deixar as lembranças de antigos amores  invadir o coração ser pedir licença. É a hora de desfrutar dos pequenos prazeres  cotidiano e ser feliz!

segunda-feira, 11 de março de 2019

Ser mulher



          Se alguém algum dia pensou que ser  mulher é fácil é porque não conhece a complexidade do universo feminino a variação de seus hormônios e as fases da lua que  interferem no humor  do mulherio e as suas fantasias desde a mais tenra idade e que vão   se transformando com o decorrer dos anos e com o aval dos pais,  padrinhos, tios e avós.  A   menina ainda nem viu a luz do sol e já é a rainha do lar, a princesa do papai e esta alcunha a acompanha até aproximadamente aos  oito ano de idade, assim ela se vê porque os adultos   lhe  repetiram  milhares de vezes, mesmo que  ela não tenha  ideia do que seja uma princesa, sente-se orgulhosa.  Com a audição de história de contos de fada,  e a  tentativa dos responsáveis para educa-la de  acordo com as regras de etiqueta social, de princesa ela passa a ser a Cinderela a espera de um príncipe encantado, algo  bem abstrato para  a mente infantil, porém, ela se sente feliz  no universo característico da primeira infância.
          Ao entrar na puberdade com surgimento dos hormônios, o frágil castelo de sonhos se desmorona, já não é mais a princesa do papai,  é repreendida em noventa por cento  de suas ações, o corpo em constante transformações e as malditas espinhas teimam em aparecer, umas competindo com as outras em tamanho e resistência a todos os tipos de tratamentos; antes uma pele de pêssego, agora, parece as costas dos sapos. Sente-se  horrorosa e acredita que o universo conspira contra ela, sonha com o seu primeiro amor e teme nunca encontrá-lo  em virtude de sua aparência.- Sou tão feia  quanto uma bruxa, lamenta em  frente ao espelho!
          Com a maioridade espera-se que a mulher esteja mais calma. Ledo engano! É  o momento dela ingressar no mercado de trabalho, namorar e   entrar na universidade e nunca está satisfeita   com a sua aparência. Um dia se olha no espelho  e se acha gorda,  em outro, muito magra e com olheiras. Se o cabelo é longo quer cortá-lo, se é liso quer cacheá-lo, umas se acham  muito altas, outras muito baixas, e usam de todos os artifícios disponíveis no mercado   em busca da beleza ideal, sem questionar o que de fato é uma mulher bonita.
          Aos quarenta anos o corpo já passou por outras transformações características da idade e da maternidade. A prioridade agora são os  filhos e, embora insatisfeita com a sua aparência, começa a valorizar suas outras qualidade e se preocupa em ser exemplo para a prole, já que não pode  evitar que ela   passe pelas dores que um dia foram suas.
          Com meio século de vida,  netos a caminho e muita experiência acumulada,  não se preocupa  em  se enquadrar em um padrão de beleza ideal, aceita seu  corpo, sua preocupação agora é em manter um estilo mais  elegante e em cuidados corporais porque a lei da gravidade chega para todas, independente do poder aquisitivo.
          Lá pelos sessenta anos e com a  perda de várias pessoas que fizeram parte de sua infância e juventude, passa a se preocupar mais com a sua saúde e  os cabelos brancos já não lhe apavora mais. Está feliz por estar viva!
          Após os setenta anos, vê a sua vida se renovar  com a chegada dos bisnetos, está mais sábia, agora é a conselheira familiar,  a que faz rir os jovens com as histórias de sua juventude e finalmente acredita ter encontrado a felicidade ao ver a  sua missão cumprida e já se prepara para  partir com  o coração sereno, mesmo acreditando ser cedo demais.

domingo, 10 de março de 2019

Aniversário


          Em nove  de março de 2019, Rosalina levantou cedo. Era um dia especial, o seu aniversário  natalício: 60 anos!  Não recebeu uma rosa de  affair, sequer um oi pelo WhatsApp, somente as mensagens dos amigos do Facebook porque ele avisa com precisão matemática que completa mais um ano de vida. Uma ponta de tristeza  apareceu em seu coração e para espantá-la, tomou o café da manhã se arrumou  e foi à floricultura e comprou um  vaso de margarida, escolheu a cor amarela, a cor do sol, do ouro. Optou por esta flor  por ser simples, elegante  e que transmite alegria, passou em um supermercado e  comprou os ingredientes para um almoço especial: Frango ensopado com grão de bico e verduras para comemorar sozinha,  a data especial e refletir sobre  os caminhos trilhados que a direcionaram  para a morada da solidão.
          Após o almoço, com  o silêncio por companhia,  ela  sente-se feliz e percebe que  o passar dos anos vai levando as necessidades e as coisas vão ficando mais simples, a bagagem mais leve, a presença e opinião dos outros já não são tão importantes. As  firmes convicções do passado  já estão  flexíveis  como os galhos  do bambu e nem se  preocupa  em julgar pois  já entende que o certo e errado são relativos e que é uma questão de ponto de vista e do momento e que as pessoas são livres para experimentar uma vida diferente. Por fim, Rosalina  percebe que comemorar o aniversário natalício sozinha é bom porque já não aprecia mais algazarras, grandes festas, luxuosas e barulhentas, quer apenas  alegar o seu coração e agradecer ao criador por ter tido o privilégio de  completar 60 anos de idade, saudável, lúcida.  - Às benesses recebidas, gratidão eterna, suspira feliz!
              Rosalina foi feliz  na escolha do cardápio de sua comemoração natalícia, selecionou ingredientes carregados  de simbolismo, a começar pelo  galo jovem, chamado de frango, que pesquisas recentes afirmam ser  parente do  Tiranossauro rex que habitou a terra a milhões de  ano e, segundo  uma antiga  tradição grega, o galo era uma ave consagrada a Esculápio e simbolizava a vigília e vigília faz parte da rotina das mulheres  desde  de sempre. O grão-de-  bico bastante utilizado  na culinária árabe é uma leguminosa rica em  proteínas,  fibras e vitaminas do complexo B  e graças à alta taxa de triptofano aumenta a produção de serotonina  que  faz melhorar o humor e despachar para  longe a depressão e  para finalizar o prato, temperou com alecrim, planta mística, utilizada há milênios em virtudes de suas propriedades terapêuticas   e conhecida como  tempero da alegria. Foi uma comemoração simples e marcante que alimentou  o corpo e alma!

sábado, 9 de março de 2019

Francisca Romana



          Durante muitos séculos perdurou  o costume cristão de   dar nomes aos filhos com o santo do dia. Em Minas Gerais, a Folhinha Mariana, o tradicional calendário da primaz de Minas, confeccionado desde 1870, ajudava os pais a manter a tradição porque  o registro dos dia do ano vinham acompanhados  com o santo do dia e  ainda constava  orientações religiosas, tabelas do amanhecer e anoitecer, fases da lua e previsão do tempo e era  oferecido gratuitamente pelos comerciantes aos seus clientes. Francisca Romana nasceu em 09 de março de 1941 e  assim foi chamada  graças a esta orientação Eclesiástica. Seus pais, não conheciam a história da  Santa e nunca puderam saciar a curiosidade da filha sobre a mulher, antes da santa, responsável pelo seu nome.        Mulheres  agraciadas com o nome de Francisca, sem uma razão especial,  recebem apelidos afetivos  de Fran ou Chica. Felizmente a mãe de Francisca não gostava de alcunha e fazia  questão que a  filha fosse chamada pelo   nome duplo de batismo. Que sorte a dela!
            Durante décadas Francisca Romana  se  perguntou quem era  Santa, mas era uma resposta difícil de ser encontrada. Primeiro tentou saciar a sua curiosidade com os pais, depois com  a professora, com o pároco em sua época de catequese e nada!  Com a  democratização do conhecimento, por meio da internet na década de 1990, finalmente  sua dúvida foi sanada e pode enfim, conhecer a história da Santa, que veio ao mundo  em 1384, nascida  Francisca Bussa de Buxis de Leoni no seio de uma família cristã de nobres romanos e desde a mais tenra  idade, já se observava que a doçura, a fé e o amor aos pobres eram traços marcantes de sua personalidade. Embora sonhasse consagrar sua vida ao Senhor,  em obediência aos pais, casou-se com o  cristão  nobre Lourenço Ponciano e deu-lhe seis filhos e concomitante a criação da  prole, exercia a caridade com amor e dedicação  em meio a fome, revoluções e epidemias.  Nem a morte de  cinco de seus filhos e do marido, endureceram o  seu coração, continuou firme em sua obra de evangelização e auxílio aos menos favorecidos, e em gratidão, o povo  deu-lhe o título de “ Mãe de Roma”  Com o auxílio de suas companheiras viúvas fundaram a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.  Viveu apenas três anos na Ordem, vindo a falecer em  09 de março de 1440.
          Conhecer a história da mulher que em vida, via o seu Anjo da Guarda, o combate das forças divinas e satânicas e que tudo suportou com amor, paciência e persistência foi um motivo de grande orgulho e gratidão aos pais por terem seguido a tradição e lhe honrado com o nome de alguém que diante dos obstáculos não fraquejou e seguiu firme em sua fé e  no propósito de servir.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Negociata em cemitério



          Prantear o morto é um costume antigo. Sempre   são lágrimas sinceras, seja pela falta afetiva, financeira, gratidão, por entender que o paciente  terminal esteja sofrendo e o retorno aos braços do Pai Celestial é o melhor para ele e também  há o pranto de  alívio, por   finalmente, livrar-se de um estrupício, da ovelha, aquela responsável por todas as mazelas familiares, este, ninguém assume e ainda lamenta em público que o finado  não teve  a oportunidade para  criar juízo e mudar de vida. Cada cultura tem um ritual próprio para despedir–se do defunto. Enquanto uns choram outros  enfrentam   a burocracia  do hospital  para a liberação do corpo, e os acertos de propina com a funerária e cemitério.
          Chocante! Porém verdadeiro.  Em um momento que a  família está fragilizada com a perda inesperada ou exausta em virtude de um longo tratamento ainda ter que passar pelo constrangimento de lidar com a máfia dos cemitérios e com urgência porque defunto  tem data de vencimento rápida é lastimável! Para confirmar os relatos de  parentes e amigos, fez-se uma rápida pesquisa na internet e  foram encontradas inúmeras reportagens a respeito do tema; segue uma pequena amostra de manchetes:

*Família acusa funcionário de pedir propina em funerária

Fonte: Agora São Paulo, 04-03´2019;

 

* Coveiros cobram taxa extra para manutenção em túmulos no Cemitério da Paz  - População denuncia ainda falta de limpeza no local. Fonte: R7´2015

 

* Fiscal da Prefeitura do Rio é suspeito de cobrar por venda ilegal de túmulo - Servidor receberia propina para permitir atuação de quadrilha. Venda de sepulturas clandestinas ocorre em cemitérios da Santa Casa.Fonte: G117/01/2014;


*Famílias se dizem ameaçadas em cemitérios públicos de São Paulo -Viúva reclama do desaparecimento de lápide por não contratar serviço. -  Coveiros chegam a receber propina de jardineiros.Fonte: G1- 01/11/2011;


* Chefe da Divisão de Cemitérios de Curitiba pede R$ 4 mil para colocar interessado em primeiro lugar na fila Fonte: Folha Cidades- 2002;

          O que deves ser feito para acabar com a corrupção do serviço funerário? Em muitos casos, o esquema  inicia-se já no preenchimento do atestado de óbito, liberação do corpo, passa pela  floricultura, funerária e finalmente, no sepultamento. Multas,  exonerações e prisões, nada disso terá um resultado positivo e definitivo, se  a família, igreja, a comunidade e estado não se empenharem em formar seres humanos melhores. Caso contrário, apenas  haverá uma trégua até a poeira abaixar e as negociatas renascerão com mais força.


quarta-feira, 6 de março de 2019

Saldo de carnaval



          Acabou o carnaval! É o momento de uns contabilizar os lucros, outros, prejuízos e há também os que comemoram, como  os integrantes da  escola de samba paulistana Mancha Verde  campeã  pela 1ª vez, com   um enredo que   narra a saga da princesa africana Aqualtune  (século XVII), que foi vendida  como escrava reprodutora  para dar origem a novos cativos em uma  fazenda  do município de Recife, P.E.  Embora tenha  exercido um papel importante na luta contra a  escravidão, não recebeu dos historiadores, o valor que lhe é seu por direito, como o trabalhador braçal e anônimo, responsável pelo sustento da nação e que, após o feriado prolongado das festividades carnavalescas, na quarta-feira de cinzas, com  o corpo cansado retorna à labuta pelo seu pão de cada dia.
          Os foliões do bate e volta, que levaram mais tempo  na viagem do que  descansando, deitados na areia quente  da praia sob um sol escaldante, tentam todas as panaceias recomendadas por familiares e amigos, na vã tentativa de amenizar as queimaduras porque precisam  retornar ao trabalho. Já os que conseguiram alugar uma  pequeno e desconfortável apartamento no litoral, apesar das fortes dores  nas costas, não  podem repousar, precisam desfazer as  malas, tomar um analgésico porque apresentar ao patrão, um atestado médico  pós feriado, definitivamente não é uma boa ideia,  é quase um pedido de demissão por justa causa. Ainda há, aqueles integrantes de todas as tribos, que foram vítimas de bandidos e tiveram seus celulares subtraídos, lotam as  Delegacias  para fazerem o Boletim de Ocorrência e  as  lojas especializadas para  comprar outro aparelho em prestações a perder de vista.  A turma dos dendicasa, estes sim, estão eufóricos para retornar à  rotina e  os integrantes de todos os blocos se preparam para a Missa das Cinzas.
          Após alegrias e tropeços do carnaval, é hora e ir a Igreja  renovar as energias e pedir proteção. Após o trabalho, vão assistir a Missa das Cinzas, data em que o celebrante   discorre sobre a fragilidade da vida humana, orienta sob a importância do jejum e de abdicar da carne, durante os quarenta dias da quaresma, o que em um momento que se discute a pegada hídrica do bife,  vale a pena seguir  esta tradição. Para finalizar  o ritual, o Padre, utilizando as cinzas  provenientes  da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, umedecidas com água benta  faz uma cruz na testa dos fiéis   proferindo as palavras tradicionais; a fé se renova  e com ela a energia necessária para mais um ano de lutas e incertezas. É preciso acreditar e lutar! Sabiamente a Conferência Nacional dos Bispos, lançou como tema da Campanha da Fraternidade/2019  “Fraternidade e políticas públicas e o lema, “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. E justiça é o que o trabalhador brasileiro precisa!


         


terça-feira, 5 de março de 2019

Carnaval dos sonhos



          Os meios de comunicação  encurtaram  as distâncias.  Com um simples toque no controle remoto pode-se saber o que está acontecendo em tempo  real em todo o mundo. Maravilhoso!  Nem tanto.  A maioria das   noticias  oriundas dos telejornais não têm nenhuma utilidade prática na vida do cidadão comum, porém, produz sonhos jamais realizáveis pela maioria da classe trabalhadora  e dos  aspirantes a um trabalho digno que no momento, engrossam as filas do desempregado com a carteira de trabalho em um bolso e no outro apenas o vazio da incerteza.   Sem poder arcar com o custo do abadá para participar dos blocos de rua tem como única alternativa assistir o desfile das escolas de samba pela televisão e chorar de tristeza  com as imagens de alegria plena dos foliões que  em virtude do seu poder aquisitivo, se jogam na pista de sofisticados clubes e brincam até o  raiar da aurora.  A espada do desespero trespassa o  coração do vivente quando  os correspondentes internacionais apresentam reportagens  sobre os  tradicionais e luxuosos carnavais  europeus.
          Confinados  no gasto sofá de casa, sonham homens, mulheres e crianças de se fantasiarem como os venezianos, cujo carnaval tem suas raízes na celebração  da República de Veneza  da vitória sobre o Patriarca de Aquileia em 1162. Admiram a beleza  das máscaras de  Colombina e Pierrô e não fazem a menor ideia de quem foram estes personagens que até hoje, após séculos, se fazem presente no carnaval da romântica cidade das gôndolas. Ficam estupefatos  com a grandiosidade das festividades  da segunda maior festa carnavalesca do ocidente que acontece anualmente em Santa Cruz de Tenerife, capital das Ilhas Canárias.  
          Ao vivente desempregado que sobrevive com  o minguado recurso do Bolsa Família e aqueles  agraciados mais com  um  pouco mais  de sorte  e  conseguiram um subemprego, que lhe  garante amenizar a fome crônica e são beneficiados  pelo Projeto “Luz para todos,” apreciam, pela tela do aparelho do televisor que adquiriram em tempos  não tão difíceis, com prestações a perder de vista, o mundo se divertindo entre luzes e cores e ele e sua família, entregues a   própria sorte e  fora de políticas públicas que  lhe dê condições de trabalhar e garantir o sustento digno do lar. Assim, diante de sua dura realidade, acreditam que lazer é luxo e  não veem outra alternativa a não ser sufocar o sonho  de participar de um baile  de carnaval usando máscara de  Pierrô e as esposa de Colombina. " Pingar é melhor do que faltar", suspira resignado.-"Obrigado Pai Celestial pelo pão de  cada dia!"