quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Amargando a solidão

             

          Tudo o que desejo é aliviar a minha angústia  de estar completamente só, de fato e de sentimentos. Por que faço esta diferenciação?  Quando eu morava com minha família, cercada de pessoas 24  horas por dia, 365 por ano,  a solidão era a minha  companheira inseparável; sempre incompreendida, criticada, esculhambada, inclusive pela minha própria mãe, que até o último instante de sua vida, jogou  em minha cara que eu não era o filho que ela queria ter. Que eu não passava de uma “lesma”, uma menina feia que só lhe causava preocupação.

        Este sentimento de solidão dói. Por um tempo, fiz tudo que estava ao meu alcance para fazer amizades: procurava visitar as pessoas, convidá-las à minha casa, para sair.  Mas o lastimável é que não consegui uma amizade sólida, alguém que se preocupasse comigo, ou pelo menos, lembrasse de mim. Algumas apenas retribuíam os meus convites. Atualmente,  com as facilidades das redes sociais, ninguém me envia uma mensagem sequer, para saber como eu estou, para jogar conversa fora, sendo franca e objetiva, para nada.

        E os namorados? Este é um mistério! Não sei a razão pela qual não consigo atrair os olhares masculinos. Tantas pessoas  contam que conheceu o parceiro no Metrô, no ônibus, no mercado, na igreja, em atividades  culturais, e eu, que frequento todos estes lugares, nada.  Peguei até uma dicas na internet, para andar feito coruja,  girando a cabeça até 270 graus, com o olhar atento,  com a esperança de cruzar com outros olhos solitários. Outro fato estranho, que vale a pena comentar neste post. Quantas pessoas se conhecem via internet, entram em furada e  outros, se dão bem, casa e são felizes para sempre. Entro em site de relacionamentos,   deixo mensagem  aos homens disponíveis, que nunca me retornam. Eu sou  uma mulher bem apresentável, de  bom gosto, inteligente, e profundamente só. Até academia estou fazendo, com o intuito de aumentar a minha área de caça.

 

Você que leu este post e se deu bem no amor, por favor, deixe  nos comentários  uma dica.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Solidão natalina

         

E o Natal chegou! Qual foi a diferença para mim? Nenhuma, porque o sentimento religioso que nesta data nasceu o Salvador do mundo, não existe mais em  meu coração e  nem sei se ele existiu uma dia. Em minha infância, nunca ganhei um presente de natal, a casa nunca foi decorada com enfeites dourados e vermelhos e, presépio,  só  conhece adulta, com os meus próprio meios. Havia sim, a reza do terço  na noite de  24 de dezembro, e talvez, o que tenha colaborado para a minha descrença foi o fato de rezar e nada acontecer. Tudo muito abstrato para  uma criança. São tantos os meus sonhos não realizados, mas um que dói é o fato  de nunca ter  acordado de manhã e encontrado  qualquer coisa em meus chinelinhos, que nem sapato eu tinha. Uma vez, descobriram que eu havia colocado os  chinelos na janela e até o  último suspiro dos meus familiares, fui  vítima de chacota. A infância sem  a concretização da magia é seca e dolorosa para a criança com imaginação fértil. Se não tinham  condições de me dar sequer um pirulito, por que alimentavam a esperança?

       Durante um período em minha vida, aderi ao programa dos Correios de fazer o natal de crianças pobres, e fazer a alegria de uma criança, rejubilava o meu coração. Hoje, admito que  o  acúmulo de frustrações, mágoas e solidão,  fez de mim uma pessoa egoísta que não consigo mais pensar na possibilidade de dar um pouco  de felicidade a alguém nesta data especial, nem mesmo de uma inocente  criança. Tudo aquilo que sonhei, desejei, não chegou para mim, por que outro tem esse direito? Generosidade não está mais em meu coração. Durante anos, enviei cartões, dei presentes, e, nunca  fui lembrada por aqueles que me eram caros. Alguns ainda tinham a gentileza de retribuir. Só que há uma diferença: Retribuir significa que o destinatário lembrou de mim somente  quando recebeu o mimo. Este ano, enviei, via Correios, seis cartões de natal, apenas uma pessoa agradeceu, assim, digo com segurança, que o investimento não valeu a pena. Ninguém se preocupa com a solitária aqui, uma mulher seca, cujo ventre não  foi capaz de gerar uma vida. Se tivesse pelo menos um filho, para  nestas datas festivas, aparecer para filar bóia e economizar nas despesas de final de ano, eu não seria tão sozinha.

       O que tenho  nos finais de anos é apenas o brilho da lua  e das estrelas. Ontem fui à missa, não por acreditar nos mistérios e magia do natal, mas para amenizar a minha solidão e talvez, encontrar um  namorado. Saí de antena ligada,  com o pescoço girando para a direita e para a esquerda, para a minha decepção,  meus olhos não  alcançaram um homem com idade compatível a minha sozinho, os “da bengala” estão todos acompanhados de esposa, filhos e netos. Não quero um  companheiro muito mais novo do que eu, por  duas razões sérias:  medo que ele abrevie a minha partida para a “terra dos pés juntos” e de traições, pois uma octogenária já está com a sexualidade serenada.  Posso até não conseguir encontrar um namorado  com idade compatível com a minha,  mas o fato de sair à procura, é um bom antídoto para amenizar a solidão.

       Este ano de 2022, muitas pessoas  de minha infância partiram, até a rainha Elizabete II, que nós, ingenuamente, acreditávamos que  trocaríamos de morada primeiro, se foi. E  segue a lista:  Elza Soares, Jô Soares, Milton Gonçalves, Olavo de Carvalho, Carlos Eduardo Moreira e Arnaldo Jabor. Cláudia Jimenez, Gal Costa,  Rolando Boldrin,  Éramos Carlos, e muitos outros, e quanto ao rei do futebol, o Pelé, os boletins médicos,   não são animadores. O preço que se paga pela longevidade é a solidão!   Familiares, amigos, colegas de trabalho e ídolos,  partem, um a um. Então, o que tenho a celebrar hoje é a vida e a saúde!

 

sábado, 17 de dezembro de 2022

Passagem gratuita

       

  A vida tem os seus mistérios! Fiquei mais de duas horas, na rodoviária, esperando para conseguir   uma passagem intermunicipal gratuita, que eu, no auge de meus oitenta anos, tenho direito. Éramos  aproximadamente 20 idosos, à espera do benefício e como eu muitos não conseguiram.

      No futuro, não sei  quais serão as condições para aqueles que carregam  nas costas, o peso de muitos janeiros usufruírem do benefício. Hoje é humilhante e cansativo. Temos que ir  marcar cinco dias antes da viagem,  e no  mesmo horário em que queremos embarcar. Exemplo: quero viajar sexta-feira, às doze horas, tenho que estar no guichê da empresa, domingo  doze horas,  para marcar.    Resignada, comprei e paguei a passagem e segui o meu destino. Foi um dia cansativo. Água, lanche e  almoço estão muito caro. Para  um aposentado comer fora, significa que até o próximo pagamento, em casa, terá apenas arroz e feijão. É a vida, e  dando graças a Deus que temos comida no prato enquanto tantos não tem. Fato é que quando fui  comprar a passagem de  volta, o rapaz perguntou a minha idade, pediu minha identidade  e fui beneficiada  com a gratuidade  do transporte. Tão feliz fiquei, que não resisti, o pão de mel que  eu havia ganho no restaurante, entreguei a ele com o coração pleno de alegria e gratidão!  Tenho rezado e pedido tanto a Deus que o dinheiro venha até mim e que meus rendimentos sejam o suficiente para  pagar as contas e guardar para a minha independência financeira que só posso dizer: Obrigada meu Deus! Mil vezes obrigada.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Comemorações religiosas

                 Observei atentos os festejos de Iemanjá, no litoral sul de São Paulo e constatei que sou uma pessoa desprovida de fé em meu Deus e santos de devoção. Os devotos da rainha do mar, viagem sabe-se lá quantos quilômetros, acampam na areia  da praia, em condições e precária e assim expressam a sua devoção. Eu não sou capaz de tamanho sacrifício, assim,  respeito e admiro os devotos.

      Em 12 de dezembro se comemora o dia de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira das Américas e eu somente tomei conhecimento que nós sul americanos  temos uma  padroeira, pelas onda do rádio, e não pelo  padres, em minha igreja. Que ela é  padroeira do México, isto eu já sabia, agora, fico cá a pensar, os secretários de turismo não sabem aproveitar bem esta data, deveria ser feriado nacional em todas as Américas católicas.  Festas religiosas  movimentam a economia local.

      Hoje, 13 de dezembro, é dia de  Santa Luzia, a protetora da visão, isto eu soube deste  quando me apaixonei pelo nosso amado rei “Roberto Carlos”, é sabido que ele não trabalha nesta data e sempre lutou para que o seu amado filho, o Segundinho,  não perdesse a visão. A Santa não atendeu ao clamor do Rei, como ele pediu, eu acredito, que havia  uma missão maior para a criança. Muito jovem ele  ficou cego, mas não escondeu dos fãs  e  continuou trabalhando, o que muito contribuiu para  o entendimento popular de que um deficiente visual também é um ser produtivo e feliz, capaz de construir uma família e trabalhar. Os designo de  Deus, só ele sabe!  Peço a Nossa Senhora de Guadalupe que proteja a nossa América Latina e a Santa Luzia, que proteja a minha visão e abra os olhos da nação para os desmandos do “ encarnado” que agora está poder e queira Nossa Senhora de Guadalupe, que a América renasça com valores universais de amor ao próximo e à natureza. Suplico também, que me dê fé!

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Cartões natalinos

                

     Tenho ciência de como sou insignificante para as pessoas com quem me relaciono. Tenho ciência que não formei laços de afetos fortes  nas searas que percorri, assim, as  poucas pessoas que tenho endereço, já que não posso dizer  que tenho contato, porque elas nunca   enviam mensagem, procuram saber de mim nem  curtem as minhas redes sociais, sempre eu que  tomo a iniciativa, porém, migalhas é melhor do que nada e  para lembrá-las que eu ainda existo, decidi  agir à moda antiga e enviar um cartão de natal  para  cinco.

    Mas porque exatamente cinco? Simples. Encontrei uma promoção de cartões  ao valor de um real, com envelope, e como eu tinha exatamente cinco reais, efetuei a compra.  O critério de escolha  para o envio foi  o tempo de ausência e distância. Tudo pronto, partir para  os   Correios e aí, percebi que o transporte saiu mais que o dobro  do preço do produto. Em selos, gastei   onze reais e setenta e cinco centavos, aí somado aos dez reais de passagem urbana, e a  empada que comprei, ao final, totalizaram trinta reais e vinte e cinco centavos.

       Na ponta do lápis, cada cartão saiu a um custo de seis reais e cinco centavos. Em tempos de   WhatsApp,  fiquei a pensar se  valeu a pena o   investimento?  Se o custo valerá o benefício? Será que  o recebimento de um cartão impresso  suscitará alguma lembrança dos idos tempos em que a conversa presencial era a melhor forma de demonstrar e amizade? São  apenas especulações de uma pessoa carente,  em busca de migalhas de afeto! Fato é que eu sou realmente só e  como sempre, passarei  as festas  de final de ano sozinha,  mas como a esperança  é a última que morre, quem sabe, uma pessoa entra em contato para agradecer o cartão, talvez, pelo susto de receber uma correspondência impressa.

 

sábado, 19 de novembro de 2022

Não senti orgulho

      

Nunca  aprecie os esportes! Mas como  preciso de praticar uma atividade física,   pensei em artes marciais e  optei pelo tai chi chuan. Pensei que era  uma atividade  voltada somente para a boa saúde, porém, a academia  mais próxima à minha residência, que oferece  a modalidade, tem o foco em campeonatos e mesmo assim, fiz a matrícula, já que pobre não tem vontade própria, sempre é  a carteira que tem a última palavra, Fazer uso do transporte público para ir à academia, simplesmente dobra o valor da mensalidade. Fiz a matrícula e me tornei a atleta mais pontual, no alto de meus oitenta anos.

              Em minha primeira participação em um campeonato ganhei medalha de ouro e não senti a menor  alegria diante das circunstancias, fui candidata única na categoria sênior.  Agora, estou com uma  medalha de ouro, ocupando lugar e juntando  poeira, sem a  menor centelha de orgulho de mim, de superação, acho que teria sido mais  melhor para a minha auto-estima se tivesse recebido  uma medalha de participação.

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Saga em busca de um dentista

                 

            A dor de dente está entre as piores dores  que acometem o ser humano e  aproximadamente umas três semanas, tenho padecido  com este mal. Ainda no princípio,  moderada, porém, contínua e, antes que aumentasse em intensidade fui procurar  um profissional competente à altura de meu bolso. Confesso que não foi fácil.  A primeira tentativa foi com a  minha dentista que não é uma profissional  de  que eu confie tanto, mas pelo menos, posso pagar. Ela estava em viagem, fui atendida por uma colega que  fez uma avaliação e eu não senti firmeza em seu diagnóstico. Depois, passei pela colega, especialista, que atende uma vez por semana, além de eu pagar R$60,00 por uma radiografia, ainda pediu uma panorâmica, e receitou-me antiinflamatório  e analgésico. O pior é que  eu não tenho uma árvore de dinheiro. Fui em busca de outro.

            Com o novo profissional não foi diferente! Fez mais um raio X, não viu nada e receitou antiinflamatório e   pediu que eu retornasse em cinco dias. Por ser uma dor generalizada e os dentes não apresentarem cárie,  cogitei a possibilidade de  ser um problema nos maxilares e   começou a minha saga na internet em busca do especialista: bucomaxilo facial. Foram mais de quatro horas de pesquisa, consulta  no C.R.O., intermináveis telefonemas, até que localizei um profissional  nas proximidades de minha residência, mas a foto do consultório   e  por ele  trabalhar sozinho, sem uma recepcionista, deixou-me apreensiva, mas a dor falou mais alto e eu fui. Sol à pino, marchei rumo ao alívio da dor. Achei o consultório sujo, após o meu relato, ele disse que o caso não era com ele,  que eu não pesquisei bem, que ele era especialista em dente siso, pedi que ele pelo menos, olhasse o dente, ele o fez de má vontade, disse que precisava fazer uma radiografia e que ficaria em R$50,00, autorizei.  Ele analisou bem a radiografia e disse com segurança que o problema  era uma cárie em baixo de uma coroa, já bem antiga,  que eu fiz aproximadamente há uns trinta anos, e que precisa ser feito o canal, ele não fazia e indicou um colega. Pois é, véspera de feriado de 15 de novembro, dia da Proclamação da República,  cansada, faminta e com fome, entrei em contato com o  dentista que se prontificou a atender-me, às 18 horas  porque  o paciente do horário havia desmarcado, a gente sabe que é mentira, é que não tinha paciente, isto é jogada.

            E lá se foi mais R$250,00,  ele abriu o dente, fez um curativo e falou das possibilidades de  resolver  o meu problema odontológico, já que a primeira preocupação dele, era acabar com a minha dor. Alegou não conhecer a minha  boca e pediu uma radiografia panorâmica. Chego a pensar que dentista recebe comissão por indicação de   clientes, não é possível.  Também prescreveu medicação  para três situações: antibiótico, para tomar sete dias, caso acordasse com o rosto inchado e com dor, e se a dor persistisse, sem inchaço, somente o antiinflamatório  durante cinco dias e caso ele não desse conta do recado, tomasse também   dipirona.  Acordei praticamente sem dor, mas  como antibiótico  se compra somente com receita médica, vou aviar a receita para deixar  para o caso de uma  infecção urinária, muito comum, em nós, octogenárias e atendimento  em Posto de Saúde não é fácil, e os sintomas já são velhos conhecidos. Amanhã começa a nova saga: a continuidade do tratamento!