sábado, 17 de dezembro de 2022

Passagem gratuita

       

  A vida tem os seus mistérios! Fiquei mais de duas horas, na rodoviária, esperando para conseguir   uma passagem intermunicipal gratuita, que eu, no auge de meus oitenta anos, tenho direito. Éramos  aproximadamente 20 idosos, à espera do benefício e como eu muitos não conseguiram.

      No futuro, não sei  quais serão as condições para aqueles que carregam  nas costas, o peso de muitos janeiros usufruírem do benefício. Hoje é humilhante e cansativo. Temos que ir  marcar cinco dias antes da viagem,  e no  mesmo horário em que queremos embarcar. Exemplo: quero viajar sexta-feira, às doze horas, tenho que estar no guichê da empresa, domingo  doze horas,  para marcar.    Resignada, comprei e paguei a passagem e segui o meu destino. Foi um dia cansativo. Água, lanche e  almoço estão muito caro. Para  um aposentado comer fora, significa que até o próximo pagamento, em casa, terá apenas arroz e feijão. É a vida, e  dando graças a Deus que temos comida no prato enquanto tantos não tem. Fato é que quando fui  comprar a passagem de  volta, o rapaz perguntou a minha idade, pediu minha identidade  e fui beneficiada  com a gratuidade  do transporte. Tão feliz fiquei, que não resisti, o pão de mel que  eu havia ganho no restaurante, entreguei a ele com o coração pleno de alegria e gratidão!  Tenho rezado e pedido tanto a Deus que o dinheiro venha até mim e que meus rendimentos sejam o suficiente para  pagar as contas e guardar para a minha independência financeira que só posso dizer: Obrigada meu Deus! Mil vezes obrigada.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Comemorações religiosas

                 Observei atentos os festejos de Iemanjá, no litoral sul de São Paulo e constatei que sou uma pessoa desprovida de fé em meu Deus e santos de devoção. Os devotos da rainha do mar, viagem sabe-se lá quantos quilômetros, acampam na areia  da praia, em condições e precária e assim expressam a sua devoção. Eu não sou capaz de tamanho sacrifício, assim,  respeito e admiro os devotos.

      Em 12 de dezembro se comemora o dia de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira das Américas e eu somente tomei conhecimento que nós sul americanos  temos uma  padroeira, pelas onda do rádio, e não pelo  padres, em minha igreja. Que ela é  padroeira do México, isto eu já sabia, agora, fico cá a pensar, os secretários de turismo não sabem aproveitar bem esta data, deveria ser feriado nacional em todas as Américas católicas.  Festas religiosas  movimentam a economia local.

      Hoje, 13 de dezembro, é dia de  Santa Luzia, a protetora da visão, isto eu soube deste  quando me apaixonei pelo nosso amado rei “Roberto Carlos”, é sabido que ele não trabalha nesta data e sempre lutou para que o seu amado filho, o Segundinho,  não perdesse a visão. A Santa não atendeu ao clamor do Rei, como ele pediu, eu acredito, que havia  uma missão maior para a criança. Muito jovem ele  ficou cego, mas não escondeu dos fãs  e  continuou trabalhando, o que muito contribuiu para  o entendimento popular de que um deficiente visual também é um ser produtivo e feliz, capaz de construir uma família e trabalhar. Os designo de  Deus, só ele sabe!  Peço a Nossa Senhora de Guadalupe que proteja a nossa América Latina e a Santa Luzia, que proteja a minha visão e abra os olhos da nação para os desmandos do “ encarnado” que agora está poder e queira Nossa Senhora de Guadalupe, que a América renasça com valores universais de amor ao próximo e à natureza. Suplico também, que me dê fé!

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Cartões natalinos

                

     Tenho ciência de como sou insignificante para as pessoas com quem me relaciono. Tenho ciência que não formei laços de afetos fortes  nas searas que percorri, assim, as  poucas pessoas que tenho endereço, já que não posso dizer  que tenho contato, porque elas nunca   enviam mensagem, procuram saber de mim nem  curtem as minhas redes sociais, sempre eu que  tomo a iniciativa, porém, migalhas é melhor do que nada e  para lembrá-las que eu ainda existo, decidi  agir à moda antiga e enviar um cartão de natal  para  cinco.

    Mas porque exatamente cinco? Simples. Encontrei uma promoção de cartões  ao valor de um real, com envelope, e como eu tinha exatamente cinco reais, efetuei a compra.  O critério de escolha  para o envio foi  o tempo de ausência e distância. Tudo pronto, partir para  os   Correios e aí, percebi que o transporte saiu mais que o dobro  do preço do produto. Em selos, gastei   onze reais e setenta e cinco centavos, aí somado aos dez reais de passagem urbana, e a  empada que comprei, ao final, totalizaram trinta reais e vinte e cinco centavos.

       Na ponta do lápis, cada cartão saiu a um custo de seis reais e cinco centavos. Em tempos de   WhatsApp,  fiquei a pensar se  valeu a pena o   investimento?  Se o custo valerá o benefício? Será que  o recebimento de um cartão impresso  suscitará alguma lembrança dos idos tempos em que a conversa presencial era a melhor forma de demonstrar e amizade? São  apenas especulações de uma pessoa carente,  em busca de migalhas de afeto! Fato é que eu sou realmente só e  como sempre, passarei  as festas  de final de ano sozinha,  mas como a esperança  é a última que morre, quem sabe, uma pessoa entra em contato para agradecer o cartão, talvez, pelo susto de receber uma correspondência impressa.

 

sábado, 19 de novembro de 2022

Não senti orgulho

      

Nunca  aprecie os esportes! Mas como  preciso de praticar uma atividade física,   pensei em artes marciais e  optei pelo tai chi chuan. Pensei que era  uma atividade  voltada somente para a boa saúde, porém, a academia  mais próxima à minha residência, que oferece  a modalidade, tem o foco em campeonatos e mesmo assim, fiz a matrícula, já que pobre não tem vontade própria, sempre é  a carteira que tem a última palavra, Fazer uso do transporte público para ir à academia, simplesmente dobra o valor da mensalidade. Fiz a matrícula e me tornei a atleta mais pontual, no alto de meus oitenta anos.

              Em minha primeira participação em um campeonato ganhei medalha de ouro e não senti a menor  alegria diante das circunstancias, fui candidata única na categoria sênior.  Agora, estou com uma  medalha de ouro, ocupando lugar e juntando  poeira, sem a  menor centelha de orgulho de mim, de superação, acho que teria sido mais  melhor para a minha auto-estima se tivesse recebido  uma medalha de participação.

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Saga em busca de um dentista

                 

            A dor de dente está entre as piores dores  que acometem o ser humano e  aproximadamente umas três semanas, tenho padecido  com este mal. Ainda no princípio,  moderada, porém, contínua e, antes que aumentasse em intensidade fui procurar  um profissional competente à altura de meu bolso. Confesso que não foi fácil.  A primeira tentativa foi com a  minha dentista que não é uma profissional  de  que eu confie tanto, mas pelo menos, posso pagar. Ela estava em viagem, fui atendida por uma colega que  fez uma avaliação e eu não senti firmeza em seu diagnóstico. Depois, passei pela colega, especialista, que atende uma vez por semana, além de eu pagar R$60,00 por uma radiografia, ainda pediu uma panorâmica, e receitou-me antiinflamatório  e analgésico. O pior é que  eu não tenho uma árvore de dinheiro. Fui em busca de outro.

            Com o novo profissional não foi diferente! Fez mais um raio X, não viu nada e receitou antiinflamatório e   pediu que eu retornasse em cinco dias. Por ser uma dor generalizada e os dentes não apresentarem cárie,  cogitei a possibilidade de  ser um problema nos maxilares e   começou a minha saga na internet em busca do especialista: bucomaxilo facial. Foram mais de quatro horas de pesquisa, consulta  no C.R.O., intermináveis telefonemas, até que localizei um profissional  nas proximidades de minha residência, mas a foto do consultório   e  por ele  trabalhar sozinho, sem uma recepcionista, deixou-me apreensiva, mas a dor falou mais alto e eu fui. Sol à pino, marchei rumo ao alívio da dor. Achei o consultório sujo, após o meu relato, ele disse que o caso não era com ele,  que eu não pesquisei bem, que ele era especialista em dente siso, pedi que ele pelo menos, olhasse o dente, ele o fez de má vontade, disse que precisava fazer uma radiografia e que ficaria em R$50,00, autorizei.  Ele analisou bem a radiografia e disse com segurança que o problema  era uma cárie em baixo de uma coroa, já bem antiga,  que eu fiz aproximadamente há uns trinta anos, e que precisa ser feito o canal, ele não fazia e indicou um colega. Pois é, véspera de feriado de 15 de novembro, dia da Proclamação da República,  cansada, faminta e com fome, entrei em contato com o  dentista que se prontificou a atender-me, às 18 horas  porque  o paciente do horário havia desmarcado, a gente sabe que é mentira, é que não tinha paciente, isto é jogada.

            E lá se foi mais R$250,00,  ele abriu o dente, fez um curativo e falou das possibilidades de  resolver  o meu problema odontológico, já que a primeira preocupação dele, era acabar com a minha dor. Alegou não conhecer a minha  boca e pediu uma radiografia panorâmica. Chego a pensar que dentista recebe comissão por indicação de   clientes, não é possível.  Também prescreveu medicação  para três situações: antibiótico, para tomar sete dias, caso acordasse com o rosto inchado e com dor, e se a dor persistisse, sem inchaço, somente o antiinflamatório  durante cinco dias e caso ele não desse conta do recado, tomasse também   dipirona.  Acordei praticamente sem dor, mas  como antibiótico  se compra somente com receita médica, vou aviar a receita para deixar  para o caso de uma  infecção urinária, muito comum, em nós, octogenárias e atendimento  em Posto de Saúde não é fácil, e os sintomas já são velhos conhecidos. Amanhã começa a nova saga: a continuidade do tratamento!

 

 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Dois dias após a eleição/2022

 

       Hoje é primeiro de novembro de 2022 e está chovendo. Uma chuva fina e constante já faz para mais de 20 horas. Graças a Deus, estou quentinha dentro de casa e o melhor, de barriga cheia, enquanto tantos estão famintos dormindo nas ruas geladas; como desfrutar desta benção com a consciência em paz? Admito: no momento, só tenho a agradecer.  O dinheiro está contato, mas tenho o básico.  No aconchego do meu lar, fico a observar a euforia das pessoas. O Brasil está divido: à esquerda, temos a turma do vermelho, que acredita cegamente na narrativa construída para conseguir  seguidores fiéis  que não percebam a discrepância entre o discurso e a realidade à sua volta; do lado direito,  está  o verde/amarelo que acredita no resgate dos valores universais e na religiosidade, na liberdade de expressão e na  economia. Enfrentando as intempéries, o  os verde/amarelo foram as ruas em apoio ao “Mito”  o presidente derrotado. Eu já viví momentos semelhantes e não acredito em um futuro próspero à curto prazo e menos ainda em um “Salvador da Pátria”, principalmente quando este já teve a  oportunidade de mostrar serviço, e não fez, preferiu encher os bolsos.

       Embora eu era ainda uma criança,  tenho em minha mente, a preocupação das famílias  em 1964, elas não sabiam ao certo o que estava acontecendo, os meios de comunicação  eram precários e as notícias demoravam a chegar. Eu participei nas ruas do “Diretas Já” e acreditei em uma  melhoria na qualidade de vida do pobre. Eu pintei a cara de verdade amarelo  e fui a rua pedir o impeachment de dois presidentes da  República e presenciei tentativas de assassinato de um candidato   e sabe o que aconteceu? O pobre ficando cada dia mais pobre e o rico, cada dia mais rico. Esta euforia toda não vai dar em nada, a esperança desaparecerá no ar feito fumaça e a carestia e os impostos  continuarão assolando a vida de trabalhador.

      

sábado, 29 de outubro de 2022

Sábado é dia de peixe (tainha)

 

Estou com  o coração partido!  Sim, muito  dolorido porque estou contribuindo para o extermínio das tainhas.  Tenho ciência de meu lugar na  natureza, sei que sou ponta de espécie  e para que eu viva, outros  precisam  perecer. A vida é violenta!  Assim sempre foi e sempre será.  De todos os peixes que já degustei, tainha é o meu favorito e hoje comprei uma bem pequena, sendo que  a  espécie chega a atingir um metro de comprimento, a que foi servida em meu almoço, deveria ter sido devolvida ao mar; antes de ser limpa, pesou apenas 250 gramas, uma bebê.

        Cada tainha desova até 5 milhões de  ovos, porém,  a chamada safra da tainha acontece exatamente durante a migração  reprodutiva da espécie,  na prática, trilhões  de ovas foram parar no lixo, porque são capturadas, há de ver  uma legislação que as protejas durante este período  importante para a continuidade da vida.  Isto me preocupa sim,  aprecio a carne da tainha, mas os cardumes, cada vezes menores e uma pesca desenfreada pode por fim a este prazer e da espécie. Acho que vou tomar uma atitude séria! Não comprar filhotes!