domingo, 19 de abril de 2020

Diário do isolamento social-33º dia

                       Tive uma noite agitada.  Ontem eu deitei ás 20 horas para ouvir o  programa Antenados da rádio Bandeirantes, SP  porque era o horário do  especial do Roberto Carlos. Infelizmente eu dormi   mal tinha iniciado. Acordei lá pelas três da manhã e demorei a pegar no sono. Levantei cansada e sem deliciar-me com as emoções   do especial, que foi gravado no MSC Fantasia,  um dos mais conhecidos navio de cruzeiro, no tradicional encontro anual do Rei com as fãs.   Participar desde evento é o meu sonho de consumo  e de centenas de milhares de pessoas que, como eu,  acompanham a carreira desde o início. Se  financeiramente não podemos, temos um alento, a  emissora nos brindou com este presente e eu dormi. Que pena!
            Acordei cansada e  para café da manhã, preparei um bolo de frigideira, não  ficou nem bom ou ruim, deu para matar a fome. Minha garganta continua doendo, apesar dos gargarejos com água morna e sal; o incomodo da infecção de urina apresentou melhoras.  Quando os raios de sol, entraram pela janela, peguei  a  cadeira,  um livro, e fui tomar o meu banho de sol parcial,  mas é melhor do que nada, como são apenas 40 minutos  de visita do astro rei, dividi 20 minutos, sol nas costas, 20 minutos sol nos pés, preciso   elevar o índice de vitamina D  em meu corpo. Para almoço, improvisei um  risoto de frango, com arroz comum. Que saudade e um  saboroso risoto com arroz arbóreo. Em tempos de quarentena, a gente cozinha o que dá e agradece a Deus pelo alimento, enquanto tantos  estão passando  privações literalmente. O desenrolar do dia segue em curso normal,  apenas lendo, quero terminar este livro rápido; a única anormalidade foi a campainha que tocou, aproximadamente 10h e 30 minutos da manhã, como  a suposta visita não foi anunciada pelo interfone, não abri mas perguntei que era e não houve resposta. Não consegui  visualizar ninguém pelo olho mágico, mas percebi que a luz do  hall de entrada ficou acessa por bastante tempo. Interfonei na portaria para saber se  alguém havia procurado por mim e a resposta foi negativa.  Vai saber quem era.
            Dia 19 de abril,  comemora-se o dia do Índio, mas neste momento difícil, não há nada a  comemorar. O Covid – 19 atingiu as aldeias e  há vários indígenas contaminados e  infelizmente,  houve  óbitos, isto é muito triste e preocupantes. Os indígenas são os guardiões das florestas, da biodiversidade, das tradições milenares.  Hoje eu não ouvi notícias nenhuma, fiquei  literalmente reclusa, agora vou providenciar um jantar porque às 19 horas o meu amado Rei fará uma live e desta vez, eu não vou dormir.
19 de abril de 2020  16h e 49 min.
Temperatura 26º graus
Umidade relativa do ar. 73%

sábado, 18 de abril de 2020

Diário do isolamento social- 32º

                                  Fazia nove dias em que não as nuvens não deixavam cair uma gota de água sobre a terra, mas hoje choveu um pouco a tarde e a temperatura caiu muito. Não sei  pela mudança brusca do tempo ou outro fator,  mas eu não amanheci bem, minha garganta está doendo e estou bem assustada, porque sábado passado, eu fui à feira livre e  havia bastante gente. Embora eu tenha ido de máscara,  tomado banho, lavado a cabeça e a roupa que usava,  higienizado as compras e descartados as sacolinhas, estou com medo de estar contaminada.  Fiz  gargarejo com água morna  com sal várias vezes ao dia e até agora, não melhorei e como  um mal só é pouco, também acordei com sintomas de infecção urinária e  só de imaginar entrar em Pronto Socorro, fico a tremer de medo, assim, resolvi amenizar o problema com a pior das soluções: a automedicação. Procurei  uma farmácia com delivery e não encontrei e não tive outra alternativa  a não ser  ir caminhando até   a drogaria do bairro e  comprar um medicamento. Espere que alivie os sintomas  até eu ver se consigo um médico particular aqui  por perto e barato. Que situação! E a  previsão do tempo é frio e chuva. Sequer terei,  nos próximos dias, o sol brilhando para que eu possa usufruir dos   benefícios do astro rei.   Felizmente, hoje ás 20 horas  a rádio Bandeirantes irá apresentar um  especial com o cantor mais amado do Brasil, o Roberto Carlos e eu não ficarei pensando no pior até  entregar-me  aos braços de Morfeu.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Diário do isolamento social p 31º dia

                           
            Uma tristeza imensa abateu sobre mim ao ouvir o anúncio do governador João Dória, prorrogando o  isolamento social até  a segunda quinzena de maio. Ele sequer  esperou dia 22 de abril, para analisar a situação e tomar as medidas necessárias. Com o avanço das pesquisas  com os medicamentos  nacionais já utilizados  há bastante tempo no  Brasil e  o alto índice de cura, eu tinha esperança, que  em 22 de abril, o governador  iria  anunciar o  fim da quarentena   horizontal e  adotar a vertical. Mas não foi o que aconteceu. Mais um mês confinada sem poder aproveitar o sol de outono para aumentar a reserva de vitamina D, o inverno está chegando e  com ele o frio e o desânimo.
            A criatividade dos  presidiários  é ilimitada e   inescrupulosa. Mais de 70 mil detentos  tentaram burlar o sistema e receber os R$600,00  do auxílio emergencial,  o qual tem direito  os  trabalhadores, de acordo com os critérios estabelecidos pelo governo.   Nos presídios, eles têm garantido quatro refeições diárias e há famílias inteiras, que sequer podem saborear  uma sopa rala, uma vez ao dia.
            Ouvindo   uma entrevista com um  dos profissionais responsáveis pelo auxílio emergencial, a pergunta de uma brasileira que reside no exterior, não  me recordo em qual  país, indagou se ela tem  o direito de receber  ajuda do governo brasileiro porque  ela trabalha sem carteira  assinada. O programa do governo é auxiliar    o povo, enquanto dura o isolamento social no Brasil,  o problema está aqui. Meu Deus!
            No mais, o dia  foi normal, apenas fiz uma faxina pesada na casa, a única maneira que eu tenho para descarregar a tensão, já que não posso usufruir da eficiente terapia popular: uma trouxa de roupa bem grande para  lavar. Claro que eu posso dar um descanso para a   máquina de lavar, mas  em confinado, até roupa suja é mercadoria escassa.
           

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Diário do isolamento social - 30º dia

                               
          O Covid -19 continua avançando, a última notícia que ouvi,  os casos curados no Brasil são de 14.026, que representa 55% do total de 25.268 de pessoas   diagnosticadas com a doença e  um total de 9.704 continuam internados e, infelizmente, o país já contabiliza  1.532 óbitos. Enquanto  vírus  segue o seu ciclo,  em Brasília, sai o Ministro   da Saúde  Luz Mandetta e    Nelson Teich  é convidado e aceita substituí-lo.  A questão é, será que esta mudança de Ministro beneficiará os pobres e excluídos como os indígenas, ciganos e quilombolas? Eu tenho esperança que sim, pelo que eu entendi,  o novo ministro não é político e é um homem bem preparado, além de médico pesquisador, fez MBA em administração de Saúde. Oxalá que os ventos soprem em favor dos brasileiros vulneráveis.
 Enquanto acontece a dança das cadeiras em Brasília,  em milhares de  lares brasileiro  mulheres e crianças estão sofrendo  com a violência doméstica que  cresceu 30% durante a quarentena.   Quando será o fim de todo esse sofrimento?   As imagens das filas para a retida dos R$600,00 estão assustadoras, além da aglomeração,  os ânimos estão alterados e brigas estão acontecendo. Misericórdia! Jamais pensei que fosse viver para ver  esta situação. San Martin de Porres,  olhai por nós!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Diário do isolamento social - 29º dia

                Meu círculo de amizade sincera consiste somente de gente com a faixa etária próxima à  minha,  ou seja, somente de pessoas que nasceram até a década de 1960, portanto, todas estamos em quarentena. Dentre estas amizades, Nerita é a mais querida, com quem eu posso conversar livremente sobre todos os assuntos, mas estamos separadas, cada uma em sua “toca” e   com ela não é recomendado o  uso de das novas tecnologias que aproximam pessoas porque ela  não está entre as centenárias privilegiadas que  não  tiveram os órgãos auditivos danificados pelos anos, resumindo, ela está praticamente surda e  recusa-se veemente, a usar aparelho. Apesar de idosa é uma pessoa ativa e sempre apreciou muito os arranjos  de flores, em especial, ikebana, e faz aulas a mais de trinta anos, estando agora, reclusa, durante a quarentena fico a imaginar a sua solidão sem uma flor natural a embelezar o seu lar.
            Em um ímpeto de generosidade, pensei em lhe enviar flores e pesquisei  uma floricultura que trabalha com venda on-line e, eu, que estou acostumada a comprar  na feira, um vaso de crisântemo  por R$15,00, não encontrei nada com preço inferior a R$60,00 e sem o frete, que nem arrisquei a consultar o valor. Mas a internet, todos sabem como é, parece que ela adivinha  o seu desejo, a sua dificuldade e  lhe bombardeia com  propagandas exatamente daquilo que você nem sabia que existia, que precisava, que desejava.  Entre tantas ofertas, uma chamou a minha atenção, A Rosa encantada, produzida na Colômbia. A propaganda garante que com os devidos cuidados, ela dura  até três anos porque  passa por um processo químico que garante que as pétalas não murchem rapidamente. O preço é salgado, acima de R$100,00, mas vale. Imagine  ter uma rosa  natural em casa, durante três anos! Dependendo de como  estiver o meu saldo, comprarei uma para mim e outra para ela, claro que será a mais barata que eu encontrar, na cor amarela, cor do  sol, das estrelas  e do outro, cor que estimula a criatividade, a inteligência. Vou gastar o que não posso, más só de pensar na felicidade dela,  que está  reclusa e   do nada, recebe uma rosa.  Eu também estou feliz só de pensar na minha rosa  encantada amarela, alegrando meus dias tristes e completando minha felicidade porque dias melhores chegarão dentro em breve.
            Não houve nenhuma novidade em meu dia a não ser o malabarismo na cozinha para conseguir   harmonizar os  poucos mantimentos que tenho no armário e fazer algo diferente,  e como o abacate comprado na feira, sábado passado,  amadureceu,   para o café da manhã, fiz guacamole bem simples porque nem salsinha  havia na geladeira. E no almoço, procurei  uma receita vegana  e  fiz de mistura, casca de banana a milanesa com jiló refogado, até os ovos acabaram e para o jantar, deu para improvisar um macarrão com acelga. Está difícil!
            Quando eu era criança, frequentava à minha residência,  uma Senhora evangélica, destas bem radicais e  ela  dizia sempre que “ chegaria um tempo em que o homem teria dinheiro e não haveria o que comprar” Claro que eu ria e sendo bem sincera, jamais  imaginei que esse dia chegaria, e ele chegou! Eu tenho dinheiro  e falta  produtos em casa porque eu não posso  sair a toda hora e os locais que entregam, tem um valor mínimo de compras, para entregas em domicílio, sem  cobrar frete. Em tempos de incertezas,  é preciso economizar até os centavos. Ainda estamos no outono, e  vírus apreciam os invernos frios e chuvosos.  Santa Rosa Lima, padroeira da América Latina, olhai por nós!

terça-feira, 14 de abril de 2020

Diário do isolamento social 28º dia

                                   E o dia termina com um dos mais lindos crepúsculo que já vi  durante o outono dos últimos anos.  Sei que meus olhos estão carentes de ver além das paredes de minha residência e dos telhados dos  vizinhos e uma pequena parte do céu, apenas este pedacinho  que saiu na foto. Este é o meu  raio de visão, nesta tediante quarentena e, mesmo pequenina esta visão celestial tem alegrado os meus dias solitários. Mas voltando ao estonteante entardecer, não fui somente eu que se encantou com tanta beleza, já esta circulando  nas redes sociais inúmeras fotos, de partes diferentes da capital registrando o pôr do sol deste 14 de abril de 2020.
            Tenho evitado notícias, assim, soube apenas hoje, que o cantor brasileiro Morais Moreira, faleceu ontem, às 06 da manhã em casa, vítima de  Infarto Agudo do Miocárdio e  provavelmente já foi sepultado, a família, em  virtude da pandemia, sabiamente optou por não divulgar  o local e horário do velório  para  evitar aglomeração. Em  tempos normais, filas enormes se formariam para o último adeus porque ele era um cantor   talentoso e muito amado pelos brasileiros.   De seu vasto e rico repertório, a música que  marcou a minha vida foi Pombo Correio. Fui adolescente nos idos tempos em que a comunicação mais veloz para a população pobre do  país era  o telegrama e a carta. Esperar o carteiro passar era sinônimo de ansiedade e alegria. Acredito que eu faço parte da última geração  de moças apaixonadas que escreveu e recebeu cartas de amor. Arrependo-me profundamente por ter rasgado e jogado no lixo meu arsenal de correspondência com o advento da internet. Eu não tinha consciência  do valor  dos selos postais, e de preservação da memória de uma época contido no tão esperado  envelope que era entregue pelo  funcionário dos Correios, com o seu uniforme amarelo e sua bicicleta velha.
            Ainda sobre os tempos de antigamente, recordo que  as noticias chegavam até a minha família apenas pela boca das visitas e dos colegas de trabalhos dos adultos. Em minha infância e adolescência, pessoas de baixa renda, como eu, não tínhamos acesso aos meios de comunicação da época, jornal e rádio, tão diferente de  hoje, que mesmo em quarentena,  evitando ouvir noticias, elas chegam a mim em vários meios como o interfone, redes sócias, televisão e rádio e as que eu soube hoje são dolorosas! Depoimentos de taxistas, arrimos de família há mais de quinze dias sem conseguir  fazer uma corrida em situação de penúria, ainda devendo  as taxas da Prefeitura e  as prestações do carro e para  completar o desespero, ao procurar o Banco para negociar, ouviram dos gerentes que se não pagarem,  perderão  os carros para a instiução. 
            Milhares de gente passando fome e os inescrupulosos aplicando golpe exatamente nestas pessoas humildes e necessitadas, em sua grande maioria, analfabetos, sem familiaridades com as novas tecnologias e sem o menor remorso,  vários crápulas  oferecem seus serviços,  por um preço módico  de dez reais, para fazer o cadastro para que eles possam receber a ajuda do governo, porém, na hora de lançarem os números das contas dos viventes, eles colocam as sua próprias contas bancárias, ou seja, além e extorquirem, de maneira aparentemente honesta e solidária os  R$10,00 pelo serviço, eles ainda fica com os R$600,00 que não lhes pertencem e era tudo que o pobre cidadão tinha. Triste tempo em que  se fala muito em solidariedade, porém, a maldade continua crescendo e em cima dos mais necessitados.