sábado, 27 de novembro de 2021

Irritação

         Ao sair para ir ao supermercado, lembrei que a vizinha queria  graviola e tive a infeliz ideia de enviar-lhe uma mensagem, convidando-a  para acompanhar-me. Ela aceitou de bom grado, porém, na volta, pediu que eu lhe acompanhasse até a papelaria  eu  não recusei porque  acrescentaria apenas duas quadras em nosso trajeto, porém, fiquei bastante irritada pois ela  fala demais, reconta a mesma história mil vezes.

Apesar da minha atitude nobre de ajudar a vizinha  pois  ela tem uma gata  que não fica sozinha em casa, e também não pode entrar  em  supermercado, (esperam no estacionamento enquanto eu faço as compras) fiquei bastante irritada e frustrada com os minutos a mais na rua pois a necessidade era   cumprir o cronograma de atividades e  conseguir vencer a procrastinação.

Tenho ciência    da importância da política da boa vizinhança, principalmente entre pessoas sozinhas como nós,  e como cada pessoa possui as suas peculiaridades,  devo observar  o melhor momento para oferecer solidariedade em situações que podem ser proteladas, para que a minha rotina do dia não seja prejudicada e eu termine o dia nervosa.

domingo, 7 de novembro de 2021

Gatos dos vizinhos

  

          O vento do sul soprou impiedosamente  a anunciar o temporal  previsto para a madrugada, raramente os meteorologistas acertam, mas naquela noite, foram certeiro e  as nuvens não  economizaram água, deixou que caíssem em abundância na terra sedenta. Após a tormenta, uma chuva fina e continua  perdurou por todo o dia. Rosalina sabia que não podia desfrutar muito do aconchego da cama, precisa ir ao jardim ver os estragos decorrentes da tempestade. Os canteiros estavam cheios de água e, nem mesmo   o aguaceiro  noturno impediram os gatos dos vizinhos de usarem os canteiros como caixa de areia.

          O cheiro estava insuportável e  Rosalina se viu obrigada a  colocar luvas e revirar o seu estoque de sacos plásticos para iniciar a limpeza  e tentar salvar as  plantinhas que lutavam para   criar raízes e   viam as gotas  de águas como uma benção celestial. Trabalhava com afinco, indiferente aos ruídos  matinais  da grande metrópole: gritos de bêbados,  o  toc toc dos saltos das mulheres apressadas para chegarem ao  trabalho, mãe gritando   com  os filhos, o problema diário durante o ano letivo e mais vozes indistintas e o barulho os carros. Já havia tentando  todas as dicas das amigas e da internet para afastar os bichanos: alho, arruda, alecrim, hortelã, pimenta do reino, malagueta,  naftalina, palito de churrasco e nenhum resultado foi obtido. Parece que o  animal perdeu  os sentidos da visão, olfato e sensibilidade à dor.

          Rosalina não  almeja muito, apenas  quebrar a monotonia do cinza do corredor do prédio com cores vibrantes, dos coleus, margaridas, cravos, begônias e vincas.   É uma luta diária, mas a jovem não  pensa em desistir, silenciosamente, refaz o plantio. Com tristeza, pensa nos tutores de felinos, que querem desfrutar da companhia do animal, mas recusa a arcar com o ônus de limpar a caixa de areia.  Seu desgaste é diário, mas  ela alimenta a esperança e apesar de árdua, ela  acredita que vencerá a luta e beleza  irá predominar.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Meu pé de girassol

                            Tantas coisas aconteceram  nestes últimos dias.  A bem sucedida operação conjunta  da Policia Militar Mineira,  Policia Rodoviária Federal que desarticulou uma das inúmeras quadrilhas de assalto a bancos. Felizmente,  26 assaltantes estão fora do mercado  de trabalho ilegal  para sempre.  Com os meliantes foram encontrados mais de doze veículos roubados, que seriam usados para assaltar  no Sul de Minas Gerais. Eles estavam bem equipados: 12 galões de gasolina de 18 litros cada e quatro galões de diesel de 100 litros cada. Sete rádios comunicadores, 12 coletes balísticos, capacetes à prova de bala, diversos explosivos, 116 carregadores, 5.059 munições, dois adaptadores, 26 armas,  entre elas havia uma metralhadora  ponto 50. Felizmente,  nenhum policial   ficou ferido e esperamos que  os militares continuem em seu  árduo e perigoso trabalho de proteger a população. A outra notícia, e bem triste, foi o desmoronamento de uma gruta, na zona rural de Altinópolis, SP.  O teto desabou durante um treinamento de bombeiros civis e dos 10 soterrados, apenas um foi resgatado com vida. Pessoas valentes que se preparavam para  salvar vidas agora descansam em paz, no reino do céu.   Coisas boas também aconteceram inclusive em meu condomínio.

            Coisa boa sim, depois de meses plantando sementes de girassóis, felizmente uma vingou e abriu suas pétalas amarelas para saudar o astro rei dos céus. Plantei-o, num vaso do corredor de passagem dos moradores, próximo ao portão de saída. A aventura começou  na aquisição da semente.  Fui  à feira comprar  temperos e quando as vi, sendo vendidas a granel, pensei que  não germinariam, e roubei uma. Eu estava enganada, em poucos dias,  a terra foi rompida e uma folhinha verde apareceu, porém, o gato da vizinha,  usou o vaso como caixa de areia e a plantinha pereceu. De volta à feira, comprei  R$0,50 de sementes e, como  são leves, veio uma quantidade surpreende, suficiente para florir o quarteirão, se ele não fosse todo impermeabilizado. Foram semanas insistindo, lutando contra os gatos e as mãos inconvenientes dos transeuntes, mas finalmente, hoje ele floresceu.

            Meu pequeno herói da resistência, sim, ele é  o meu herói;  ele sobreviveu a forças dos ventos, excessos de chuva, gatos e “mãos leves”. Diz a sabedoria popular que a flor do girassol reflete  a energia positiva que emana do sol e também  traz felicidade. Verdade  ou  apenas crendice, eu não sei, fato é que o amarelo de suas pétalas deu vida ao corredor em contraste com o branco das paredes e cinza do piso.  A fase da espera do momento da  floração  da pequena plantinha já passou, agora  inicia-se  o momento de esperar pelas abelhas polinizadoras e uma  alegria imensa invade o meu coração ao saber que graças aos meus cuidados e carinhos, uma  solitária flor amarela, alegrará os olhos dos  pedestre e fornecerá alimentos as abelhas. Meu belo  herói,  torço para que  gatos e   pessoas malvadas não interrompam o seu ciclo natural.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Tipos de comunicação

           

            Os seres humanos são privilegiados por natureza porque são os únicos seres que possuem a  habilidade de  comunicarem-se   de duas maneiras: a analógica e a  digital. As duas possuem o mesmo grau de importância  e ao mesmo tempo se complementam e esta complementação é de grande valia no trato com crianças pequenas, doentes mentais e animais. Por comunicação analógica humana, entende-se toda comunicação  não verbal que inclui além dos movimentos corporais, também o tom da voz. A digital  é a linguagem falada  estabelecida por convenções  semânticas que são culturais e arbitrarias. Em toda comunicação há um conteúdo e uma relação. O conteúdo  dispõe de grandes chances de  ser transmitido digitalmente enquanto que a relação é analógica por natureza. Vale ressaltar que o desempenho dos computadores análogos e digitais também são diferente.  Nestas máquinas criadas pelo homem  também são percebidos dois modos básicos de comunicação; curioso é que fisiologistas e engenheiros da  informática chegaram a esta conclusão por caminhos diferentes e independentes, porém, o interessante é  que no sistema humoral dos organismos  naturais os meios de informações são as substâncias na corrente sanguínea, já  nos computadores analógicos assumem a forma de quantidades descontínuas  e positivas.   

            Observou-se que todo  comportamento possui valor de mensagem e está comunicando alguma coisa e que  até mesmo o  silêncio, um corpo parado com um olhar fixo estão  transmitindo  uma informação, que pode ser o desejo de ficar só, e que é entendido pelas pessoas presentes  e estas costumam respeitar o que também é caracterizado como um ato comunicativo. Até  mesmo, quando a pessoa está sozinha, ela está interagindo com os seus pensamento e devaneios, ou seja, está se comunicando. Concluindo:  Toda comunicação transmite uma mensagem e concomitante, um comportamento  e que o não comportamento, não existe.

domingo, 24 de outubro de 2021

Frases interessantes!

 “O segredo da felicidade não se encontra na busca por mais – mas sim no desenvolvimento da capacidade para desfrutar de menos.” – Sócrates, viveu em 450 a.C.



“As maiores bênçãos da humanidade estão entre nós e ao nosso alcance. Sábio é aquele que com pouco se contenta, seja o que for, sem desejar aquilo que não tem.” – Séneca, nascido no ano 4 a.C.


“Se está depressivo é porque está a viver o passado. Se está ansioso está a viver o futuro. Se está em paz está a viver o presente.” – Lao Tzu, viveu até por volta de 600 a.C. na China.

A felicidade é como uma borboleta; quanto mais a perseguir, mais irá fugir – mas se der atenção a outras coisas, a mesma irá acabar por pousar gentilmente no seu ombro” – Henry David Thoreau, nascido em 1817 em Massachussetts.

“Quanto
mais o homem meditar ao redor de bons pensamentos, melhor será o seu mundo e o mundo em geral.” – Confúcio, viveu na China por volta do ano de 500 a.C.


“O Homem que faz tudo o que leva à felicidade e depende de si mesmo e não de outro homem, adotou o melhor plano para viver feliz.” – Platão, viveu durante o séc. IV aC.

Nada de nada

 

NADA DE NADA

Conto de Kurt Kauter

 Conto adaptado de New Fables: Thus Spoke the Caribou,
de Kurt Kauter, e publicado na Revista Thot, nº 58, 1993.

 

     Sabes  me  dizer quanto pesa um floco de neve? Perguntou um pardal a uma pomba silvestre.

Nada de nada - foi a resposta.

Nesse caso vou lhe contar uma história maravilhosa – disse o pardal.

Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar.

Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído  nem violência, já  que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas de meu ramo. Contei exatamente 3.741.952. Quando  o floco número

3.741.953 pousou sobre o ramo, nada de nada como você diz –  o ramo  se quebrou. Dito isso, o pardal partiu em vôo.

  A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu:  Talvez esteja faltando uma única voz para trazer responsabilidade ambiental ao mundo. Talvez a tua..                              .                                                                                                                              Disponível: http://www.comitepaz.org.br/Nada_de_nada.htm64 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Aventura em dia de vacinação

        As amigas octogenárias  Sara e Elif, foram juntas tomar   a primeira  dose da vacina  de Covid-19. Optaram pelo horário das  oito horas da manhã, queriam ser as primeiras a chegar, porém, todos os idosos pensaram a mesma coisa e encontrar um local para estacionar  não foi fácil. Tiveram que  utilizar o estacionamento de uma loja e não  notaram um rapaz sentado na porta do estabelecimento, com uma faca na mão. Desceram com a  dificuldade inerente à idade e só então perceberam o perigo a que estavam expostas e com  uma calma aparente que só o medo extremo é capaz de proporcionar,  Elif cumprimentou o  jovem e pediu-lhe   olhasse o veículo, pois na volta, lhe dariam “um trocado”.

          Esperaram na fila, aproximadamente  uma hora, e já  imunizadas, precisavam retornar ao estacionamento. Elif sugeriu que  Sara fosse  buscar o veiculo, e ela esperaria em frente ao  polo de vacinação,  si em 15  minutos ela não regressasse, chamaria a  Polícia.  Nada do que as  anciãs temiam aconteceu e felizes, retornaram ao condomínio  em que residiam confiantes que estavam  mais protegidas. A noite foi difícil para Sara. Dor no peito e no braço, não a permitiu dormir, mas como já  sofrera dois infartos, optou por não pedir socorro com medo de ser levada ao  hospital e contrair Covid-19, não queria correr o risco de   ficar entubada a mercê de tratamento experimental, e menos ainda, ser enterrada em caixão lacrado, sem a presença dos parentes   a lamentar a sua passagem, Elif,  sentiu dor no braço, cansaço e nada mais.

          Assustada com a experiência  do estacionamento,   no dia da segunda dose, Sara  escolheu outro  polo de vacinação, e desta vez, iria às doze horas, comércio aberto, mais fácil para pedir ajuda em caso de  outro encontro inesperado. Elif  aplaudiu  a  decisão da amiga. Foram obrigadas a estacionar na rua, a uns três quarteirões do local. Caminhavam felizes, observando  os jardins das casas quando Elif notou que Sara estava sem a máscara,  que provavelmente ficara no carro.  Retornaram sem pressa, e  quando estavam a  uns 20 metros do veículo, foram abordadas por uma simpática senhora que  indagou se elas  estavam procurando a chave do carro e antes mesmo que as perplexas senhoras respondessem que não, entregou-lhes o  chaveiro  e seguiu o seu  caminho sem  esperar  o agradecimento.

- Proteção divina!  Retornamos  pela máscara e encontramos a chave perdida, sem mesmo dar-nos conta que a havia perdido.  Exclamou Elif.

- Meu anjo da guarda nem piscou hoje, o que faríamos distantes de casa, sem dinheiro e cartão?  Realmente foi a  divina providência! Aleluia! Exclamou Sara.  Talvez pelo  horário, não enfrentaram  fila e na volta para casa, ultrapassaram a velocidade permitida; foram paradas, repreendidas e multadas por um guarda de trânsito, que as aconselhou a  utilizarem os serviços de táxi, era mais seguro para elas, para  os pedestres e  outros motoristas.

          Ao contrário de Sara, que na  2ª dose, nada sentiu, Elif  teve várias reações à vacina: cansaço, calafrio, enjoo, tosse, dor de garganta e febre de 38º, sofreu sozinha, durante dois dias.  Ao responder as mensagens da amiga, negava  com veemência  qualquer mal estar com medo de ser levada ao hospital e  receber um falso diagnóstico de Covid-19 e   tratamento inadequado  que a levaria a óbito. – É preferível uma morte solitária a ser lembrada pelos descendentes como a parente que  faleceu de Covid-19, durante a pandemia do coronavírus, nos anos de 2020/2021, suspirava resignada.

          Já protegidas com as duas doses, mas com receio de serem contaminadas por uma nova variante resistente à vacina, ambas  continuam usando máscaras e seguindo o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde. Elif não cansa de repetir: - A morte é a única certeza que tenho nesta vida, gosto de viver e não tenho pressa de partir.