- E o ano de 2023 chega ao fim, e mais uma vez eu sozinha! Sem mensagens, telefonemas de boas festas e convites para sair. Ninguém se importa comigo, esta é a triste constatação. Entre as minhas mais remotas lembranças, até onde a minha memória alcança, só tenho recordações de estar sempre em busca de uma amizade sincera, de ser importante para alguém, de pelo menos, ser lembrada, principalmente, por alguém de minha família. Se nem mesmo, meus pais se preocupam comigo, como ouso querer que mais alguém queira-me bem? Não consigo compreender porque não consigo fazer amizades, procuro ser simpática, prestativa, e não consigo ser gostável por ninguém, parece que as pessoas conversas comigo apenas por educação. Tantas pessoas grosseiras, sem educação vivem rodeadas de amigas e eu, eternamente solitária. O que espero conquistar em 2024? Meus primeiros amigos sinceros e se não for pedir muito, peço também um amor.
domingo, 31 de dezembro de 2023
Adeus 2023
domingo, 19 de novembro de 2023
Trinta e sete reais
A atividade de hoje consiste em escrever durante quinze minutos sem preocupação
qualquer coisa que viesse à mente. O que surgiu espontaneamente foi o PIX, no valor de
trinta e sete reais, que pedi ao meu namorado para fazer para mim,
deixei claro que o pagaria no mesmo dia. O pedido se deu em virtude de minhas
dificuldades tecnológicas e por eu não ter conta bancária, uma vez que trabalho
como diarista e recebo em espécies das
patroas, que não querem deixar rastro para que os maridos não descubram que elas
dizem um valor para ele, embolsam a diferença. Precisei fazer um pagamento e a única
forma aceita era o PIX. Pois é, ele que
recebe em média, dez mil reais por mês,
simplesmente disse que não tinha a quantia, que o dinheiro dele estava todo
aplicado e não poderia ajudar.
Esta não é a primeira vez que ele
demonstra que não valho nada para ele,
que não passo de um objeto descartável que pode ser substituído com um estalar
dos dedos. Acredito que as pessoas que lerão este post devem pensar que eu
tenho muita imaginação, porém, não é verdade. Aconteceu comigo e eu ainda não tomei a atitude de devolvê-lo
para a sogra. Certa vez fomos ao mercado
e eu sugeri a receita de kiwi com atum e tomate e tivemos um
desentendimento porque o prato só pode
ser preparado com atum sólido e que é
mais caro que o ralado. Ele recusou a comprar
o produto que ele comeria, apenas teria que dividir comigo. Só
que ele esquecia que estava hospedado em
minha casa mais ou menos uns cinco dias, com o consumo de água, energia, gás,
alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal em minha responsabilidade.
A primeira demonstração de mesquinharia
comigo se deu, quando fique na casa dele e ele comprou para café da manhã pão com mortadela, como sou alérgica a embutidos, comi apenas pão francês com café. E ele não cansa de contar
dos rodízios de comida japonesa, churrasco e pizza que frequenta com a família. A última vez que
ele se hospedou em minha casa, fiz uma
experiência, o recebi com a geladeira
cheia, de coisas mais baratas, nada de pratos requintados, e ele foi
comendo tudo, quando ficou somente arroz, feijão e salada de abóbora, ele
simplesmente foi embora e até agora não voltou, quando voltar, terá uma surpresa:
regime maluco, sem proteínas e carboidratos, em menos de 24 horas ele irá
cantar em outro freguesia. Se ele quer
regalias de hotel, que pague a diária em moeda corrente.
sábado, 18 de novembro de 2023
250 palavras
Recebi a missão de escrever 250 palavras como treino de escrita de um curso que eu pretendo fazer. Coisas de internet! Após fazer a inscrição, foi que percebi que o dito cujo aconteceu em outubro de 2023 e estamos em meados novembro do corrente ano. A inscrição foi feita e recebi confirmação via e-mail, como veio com a dica de todos os dias escrever este número de palavras, assim, criei coragem e cá estou, sem disposição, inspiração, porém, com uma vontade enorme de vencer a procrastinação, de dar um passo adiante e não ficar alimentado a inveja que me imobiliza e destrói a minha vontade viver. Tenho tentado usar como mantra a frase: “a motivação vem da ação.” Preciso de um incentivo e na falta de uma pessoa para me dar apoio, começo a repetir a frase até conseguir começar, depois do terceiro passo, eu consigo chegar adiante, mas começar é um verdadeiro suplício.
O primeiro parágrafo constou 150 palavras e eu vi que não é impossível, assim, aproveito para responder a pergunta do autor do livro que li está semana. Será que você não é uma lembrança doída na vida de alguém? Com tristeza constatei que sou lembrança dolorosa na vida de inúmeras pessoas que eu tratei com rispidez exagerada, não porque elas merecesses, mas devido a minha incapacidade de dialogar, em decorrência da falta de vocabulário, de compaixão e se for ir mais fundo, na minha inútil tentativa de ocultar os meus complexos de inferioridades que estão arraigados em mim, desde a mais tenra idade. Por ser uma pessoa ferida, ferir o outro é uma prática constante da qual venho tentando me libertar faz mais de 3 décadas. Bem, estou feliz porque ultrapassou o número de palavras!
domingo, 5 de novembro de 2023
Minha mãe, pelo olhar de um orfão
Ontem foi um dia especial porque eu tive a verdadeira dimensão de quem foi a minha mãe e as marcas que ela deixou em inúmeras pessoas com ações simples. Às vezes, deixamos de ajudar as pessoas porque acreditamos que o que temos a oferecer é pouco, porém, para o ajudado, naquele momento representa muito. São tantas atitudes que eu poderia contar aqui, porém, focarei minha atenção em uma visita que fiz ao Sr Zezé, durante sua permanência no hospital, tratando de uma trombose venosa, quando tive o prazer de encontrar com o seu afilhado, Vitor, conhecido como o Vitinho da lavandeira.
Vitinho
nasceu em uma família
literalmente pobre, e pobre em dobro, de dinheiro e inteligência, uma vez que possuíam
um pouco de terra, porém, não tinham a iniciativa de plantar. Ficou órfão de pai
aos sete anos de idade, dois anos após a morte do esposo, a mãe de Vitinho faleceu repentinamente e ele ficou aos
cuidados dos irmãos mais velhos, todos menores de 18 anos, vivendo como podiam.
E nesta época, minha genitora, tomou a iniciativa comum a toda mulher católica praticante, se fez
presente na vida deles, como podia, ofereceu amor de mãe, colo, conselhos, muitas orações e o mais importante:
o uso das mãos para ganhar o pão de cada
dia.
Em nosso encontro, Vitinho relatou que
tem viva em sua memória, o rosto de minha mãe, já falecida a mais de trinta
anos, a lembrança de seu colo macio, no
qual deitou várias vezes, em momentos de
carência, de suas panquecas e também, da preocupação dela, em ir à casa deles, levar leite, carnes e demais
produtos oriundos de suas colheitas no pomar e na horta. Entre as doces lembranças do cuidado que recebeu, em sua infância e
adolescência, ressaltou que somente a minha família prestou auxílio aos órfãos,
os demais vizinhos, quando eles iam lá, pedir um litro de leite, eram convidados a se retirarem e não poupavam
palavras ofensivas. Um litro de leite, um pedaço de carne, uma penca de banana,
representava pouco para meus pais, mas para ele era exatamente o que precisava
naquele momento de carestia.
domingo, 8 de outubro de 2023
Podcast do Chico da Tiana
Quando a vida se torna vazia e a solidão assola o peito, ao pobre, resta apenas o celular e os vídeos dos humoristas mais simples, para conseguir arrancar um projeto de sorriso nos rostos amargurados.
Eu confesso, sou uma destas pessoas e lá pelas 14 horas e antes de dormir, gosto de assistir um podcast do Chico da Tiana porque ele consegue de maneira humorada, porém, respeitosa, comentar as coisas mais simples do dia a dia do povo, que de tão simples, passam a desapercebidas, como os planos que os pobres fazem para os feriados, pautados na realidade, ou seja, sem gastar dinheiro, como consertar a fechadura da porta, dar um banho no cachorro, arrancar o mato da calçada e por aí afora.
Esta é a dura realidade do trabalhador ativo e inativo. Planejar! O triste é que até os planos são pequenos, e os sonhos? Faz tempo que deixaram de sonhar e quando os filhos ousam falar em novas oportunidades, progresso, rapidamente um adulto planta em sua mente a única e possível alternativa: acordar às 4 horas da manhã para pegar o “busão” e procurar emprego.
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
Onda de calor
- Neste início de primavera, ao amanhecer, quando os pássaros começam a cantar, uma leve brisa balança as folhas das árvores e fazem tremular as cortinas, das janelas abertas, mesmo com o risco de entrada de um intruso,o trabalhador finalmente consegue pegar no sono, refrescou, mas, antes que ele comece a sonhar, toca o despertador e ele salta apavorado da cama, sonolento, cansando, corpo suado. Independente da onda de calor que assola o Brasil, para botar comida na mesa, ele engole apressado um gole de café requentado, se aperta dentro do ônibus e, finalmente chega ao trabalho.
- Assim, repete-se a rotina todos os dias. Faminto, sonolento, cansado, não consegue cumprir com as metas estabelecidas, o medo de ser dispensado ronda seus pensamentos, as relações entre empregados e superiores ficam tensas e, quando não é o aviso prévio que chega, é a licença médica por esgotamento nervoso e ainda nem chegou o verão 2023 nos trópicos
domingo, 17 de setembro de 2023
Fragilidade emocional
À beira dos 80 anos de idade, mesmo
tendo passado por inúmeros processos de
cura, toda vez que tenho que tomar uma
decisão, que irá interferir na vida de
outras pessoas, o velho nervosismo vêm à tona,
e eu me torno aquela menininha frágil que mendigava afeto dos genitores,
e que se humilhava, trabalhava feito uma
mula de carga, sofria todas as injustiças apenas para ser notada. Quase oito décadas, anos de terapia, dezenas
de livros de autoajuda, palestras e apenas consegui adormecer á frágil criancinha.
Admito que investi tempo e dinheiro em meu fortalecimento interior, porém, percebo
que consegui apenas uma aparência de fortaleza. Sabe aquela história
da carroça vazia, na qual o pai diz ao filho que ela está fazendo muito barulho porque está
vazia e completa: assim são as pessoas, quanto mais vazias, mais
barulhentas, os fortes são silêncios,
focados, mostram o seu valor e ganham respeito pela competência profissional e
sabedoria em suas decisões e
relacionamentos.
O que estou me perguntando é: porque eu não consigo me silenciar, falar
apenas aquilo que precisa ser dito, intrometer menos na vida dos outros, ser mais educada? Hoje tenho uma reunião familiar e terei que fazer um comunicado importante de
uma atitude que tomei perante à família, estou nervosa, com diarréia, vômito,
roendo unhas, como uma adolescente que vai fazer uma prova final, na qual
precisa tirar nota 9, para poder
continuar com o namorico. Eu tenho bens materiais, boa renda mensal, não
preciso financeiramente de ninguém, e não consigo me libertar desta fragilidade
que consome os meus dias.