sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Tarde demais

             Inacreditável! Não estou feliz!  Sempre sonhei em receber flores do homem amado e  sempre senti inveja das amigas, primas e tias  que ora ou outra, eram surpreendidas com um buquê e hoje, pela primeira vez em minha vida, recebi um buquê de rosas vermelhas do atual namorado e para  minha decepção, nenhuma emoção especial.

            Cá estou eu a especular os motivos de minha indiferença   diante da surpresa inesperada: O fato de eu não amá-lo e levar o relacionamento adiante apenas por carência afetiva e solidão, pois dinheiro, ele não tem? Será que flores e amores estão interligados? Ou porque preciso de coisas úteis como comida especial para  sair um pouco do arroz feijão e angu de fubá? Será que o esforço da labuta diária para colocar comida na mesa atrofiou os meus sentimentos?

            Foram tantos caminhos percorridos e tantos obstáculos a enfrentar que já não sinto emoção  em pequenas coisas como apreciar a beleza e o perfume das rosas. Lagrimas escorrem discretamente  dos meus olhos pela  constatação de que a jovem romântica que um dia eu fui, se perdeu nas estradas da vida.  Hoje estou seca por dentro, meu coração está reduzido apenas a cumprir a sua função biológica de bombardear sangue. Olho os belos botões vermelhos e  não os enxergo, o que vejo são frutas  que eu adoraria saborear,  porém,  nunca pude comprar. Tão esperados e tão inúteis porque não  consigo mais desfrutar do prazer de admirar o belo, estou presa ás necessidades básicas, uma vida sem sentido, um peso morto para terra. O tão sonhado buquê de rosas vermelhas  chegou e  meu coração sangra porque eu não sinto nada além do desejo de comer, a preocupação em conseguir pagar as contas em dia e ter um lugar seguro dormir.  Fico a pensar: São seis rosas vermelhas, seria tão bom se fosse seis quilos de carne e olha que nem precisaria ser de primeira, carne de segunda já me deixaria muito feliz ou seis tipos de frutas diferentes! 

Catrini

domingo, 30 de janeiro de 2022

30 de janeiro de 2022

Eu assumo, gosto de novelas brasileiras, mexicanas e turcas. Gosto de novelas porque é um mundo diferente do meu, onde tudo gira em torno de economia, sempre em busca do mais barato, de uma liquidação, de um desconto especial. Nunca pude entrar em uma sapataria e escolher  um par de sapatos confortáveis. Jamais  entrei em um mercado e comprei o que precisava e desejava, sempre o mais barato, não sei o que saciar uma vontade de comer um queijo canastra,  uma carne nobre,   uma fruta exótica. Desejo tanto ter roupas no tons lilás,  de tecido nobre, mas tenho de  me conformar com as liquidações do Brás e ainda, agradecer a Deus que tenho esta opção.

                     E como     ia dizendo, na maioria das  tramas, um dia o pobre alcança o seu objetivo e  esta  realização dos personagens, alimenta a  minha esperança em um milagre e faz-me esquecer as dores ocasionadas pela falta de dinheiro crônica. E em uma novela, ouvi uma frase extremamente verdadeira: " A partir de uma certa idade, os anos passam voando, mas os dias são intermináveis."  E assim foi este  janeiro de incertezas,  dias intermináveis e passagem rápida do mês e a eterna pergunta: a pandemia está realmente chegando ao fim?

                         A população está descrente e cansada do assunto  de vacina, e  de  novas variantes, dos desmandos na política e principalmente da máscara, pois o alcool gel 70º já foi abandonado faz tempo por dois  motivos nobres: I- falta de dinheiro para comprá-lo. II- Denuncias constantes de falsificação do produto. Felizmente, hoje é dia 30, e mais um dia este mês termina. Quiçá fevereiro seja melhor!    

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Seria tão bom

                     

            Não é fácil a vida de uma pessoa idosa e pobre. Em virtude dos parcos recursos, que a impossibilita de usufruir dos serviços destinados aos idosos, como cuidadores, enfermeiros, tratamento  médico particular, serviços de táxi e demais comodidades, faz-se necessários que elas  formem um círculos de amigos para se apoiarem nos momentos difíceis,  e  amizades baseadas em interesses  é sinônimo de dissabores e paciência, pois cada idoso tem a sua  particularidade, ou seja, chatice, manias e fragilidades emocionais e físicas.

        Imagine que em um grupo de vizinhos idosos, apenas um dirige e tem um carro, isto quer dizer que é preciso ter amizade com ele, pois pode precisar ir ao Pronto Socorro de madrugada e sem dinheiro para táxi, depender da boa vontade dele, porém,  ele tem um cachorro e seu assunto gira sempre em torno das necessidades do animal, ou seja, o mesmo assunto entra dia sai dia e haja paciência!   Uma outra pessoa  troca lâmpada, e faz mais alguns serviços domésticos que muitas mulheres não se arriscam, porém, ele reclama de tudo e está sempre envolvido em confusões, então  manter a amizade é um verdadeiro exercício de  silenciar-se para não entrar não entrar de gaiato no návio.

        Com o peso dos anos, vem a fragilidade do corpo, os lapsos de memória e o dinheiro, cada dia mais minguado, assim, manter amizades é necessário, e deve sempre ser  um vizinho, que possa ajudá-lo, no momento necessário e o mais importante, a lei da vida é dar e receber, hoje você faz o favor, amanhã você pede um favor e o pobre continua sonhando em como seria bom ter dinheiro para poder resolver os pequenos problemas diários sem depender da boa vontade dos outros.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Candidatos 2022

 

Caro Candidato  eleiçoes/2022

Peço que inclua em seu Plano de Governo:

I-  O reflorestamento das áreas desertificadas  de todo país,  com árvores do bioma, trabalhando com a mão de obra  local e com presidiários de  zero periculosidade, como por exemplo, acidentes de trânsitos e atraso de pensão;


II- Peço que amplie o projeto dos produtores de água;

 

III –Criar um projeto, junto as comunidades indígenas de produção de frutas  regionais nativas, sem prejudicar o  meio ambiente, em parceria com a indústria alimentícia e secretarias da educação  para ensinar o brasileiro a consumir os frutos nacionais;

 

IV -  Crie um projeto de trabalho para presos (roubo, furto) que eles só podem ser libertados depois que pagarem a vítima,o  prejuízo causado. Se fizer isso, 50% dos  roubos acabarão  e quanto aos menores de dezoito anos, a família deverá ressarcir a vítima, para que ele seja libertado;

 

V - Peço  remuneração por parte do governo, para os conciliadores e mediadores de todo o país, que hoje são voluntários dos J.E.Cs;

 

VI –Peço que junto com o seu futuro Secretário da Educação, elaborem um projeto para que a escola tenho menos conteúdo e mais qualidade, ou seja, ensinar menos, porém, ensinar melhor, hoje prevalece  o excesso de conteúdo e pouca aprendizagem;

 

VII - Considerando que o número de idosos sozinhas,  cresce cada dias mais no Brasil, junto a Caixa Federal e construtoras, elaborar um projeto de residencial para idosos, nos moldes de uma casa de repouso, com pomar, horta, jardim, artesanato, casa de baile e espaço para culto religioso em que ele pague apenas uma porcentagem  de sua aposentadoria, porém, com a sua morte, a casa volte para o governo e sirva para outro idoso;

 

VIII – Como a aposentadoria no Brasil é sofrível,  junto ao seu futuro Secretário de Turismo, ampliar um antigo projeto de viaje mais, para idosos, e que eles consigam  desconto em todos os hotéis e pousadas do Brasil.

 

IX- Junto a banca agrícola, crie um projeto para ajudar o pequeno produtor rural e estimular as pessoas a não deixarem o campo para inchar as periferias;

 

X – Junto com o seu futuro Secretário de Turismo, procure as lideranças religiosas para  estimularem o turismo religioso em todas as cidades brasileiras Turismo religioso movimenta a economia local e pela sua peculiaridade, não gera  grandes tumultos que  lotam as delegacias;

 

 

XI- Junto com  a indústria gastronômica, estimular festivais gastronômicos com os frutos da terra,  de todos os biomas, é preciso estimular o consumo de produtos nacionais.

 

XII- Procurar os profissionais da moda para estimular a produção nacional, com marcas com um toque de brasilidade para exportação.

XIII – e que tenha um excelente Secretário de Meio Ambiente, de preferência um indígena. Na cultura indígena ainda prevalece o sentido de coletividade, respeito aos anciãos, as crianças e à natureza, valores que a população em geral, principalmente a classe política precisa aprender.


 

 

 

 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Tristeza amiga

               

            Estou triste!  Parece até pecado  admitir  minha tristeza, estando viva,  alimentada e  segura no aconchego de meu lar, enquanto tantos estão desabrigados  em virtudes do excesso de chuvas e outros porque foram despejados em decorrência da perda de emprego; todos assustados e famintos. As  feridas decorrente da pandemia ainda não foram cicatrizadas e mais uma tragédia assola o país, e como sempre, recai de forma mais dura sobre os mais pobres.

            Estou triste porque sofro com  as mazelas alheiras e também, porque  tenho o privilégio de uma vida  longa e com ele, ônus da solidão. A maioria dos entes queridos  já partiram para a   pátria celestial e  as novas gerações, cada uma seguiu o seu caminho e os laços de afetos foram rompidos e neste final de ano,  constatei a dura realidade: não sou lembrada   pelos familiares, não faço falta para ninguém.

            Recordo os versos de uma canção “ Sem motivo vou vivendo por  aí por viver”

Assim está a minha vida, sem um propósito na vida, com a rotina resumida  em ir ao banco receber o dinheiro da pensão, fazer as compras do mês e pagar as contas, e esperar o lento passar das horas.  A virada do ano foi solitária, preparando comidas tradicionais, sem tem um familiar para compartilhar os prazeres da mesa e a magia do alvorecer da  esperança e sem ter condições físicas e financeiras para  preparar e levar marmitas aos moradores de rua. Nada é mais triste do que não ser útil e  importante para alguém.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Faltou a magia do Natal

            Foi bom aceitar o convite para passar o natal em casa de amigos. Dois anos dentro de casa com medo do coronavírus e  mais recentemente, do  H3n2, sair e divertir um pouco alegrou o meu espírito.   Foi uma recepção calorosa, comida farta, porém,  uma comemoração  vazia, sem o simbolismo e magia  da data. Não havia  nenhuma decoração referente à data, sequer uma bolinha vermelha perdida em um canto qualquer da mesa e o Menino Deus sequer foi lembrado. Os assuntos giraram em torno  de fofocas familiares e nada mais. Comer por comer, sequer foi servido os pratos convencionais porque   os anfitriões disseram que agora são vegetarianos. Não os recrimino por esta pequena mentira porque com o preço abusivo das carnes,  se- formou  dois grupos de vegetarianos: Os convictos que realmente acreditam  que  abdicar da carne é melhor para o organismo e para o meio ambiente; e do outro lado,  os envergonhados, sem condições financeira para   adquirir o produto se viram obrigados a reformular o cardápio natalino.  São tempos  difíceis e com a perda da fé e magia do Natal,  a esperança se finda e o vazio existencial invade a alma.     

domingo, 19 de dezembro de 2021

Medo de que?

 

          Gosto de informações completas, com os mínimos detalhes e  de certa forma, fiquei até irritada quando  ao ler em um livro, que o jornal inglês Sunday Times  perguntou  a três mil pessoas: “ Qual  é o seu maior medo?”  Faltou o ano em que foi feita esta pesquisa, local, classe social  e isto dificulta ao leitor do futuro a compreensão dos medos dos entrevistados. Para os brasileiros pobres, arrimos de famílias, em 2021,   os seis maiores medos elencados parecem pueris; ei-los:

41% Falar em públicos.

No auge da pandemia, qual pai de família desempregado,  com a geladeira vazia, e filhos chorando de fome, esposa a beira de um ataque de nervos, as contas atrasadas e  na iminência de ser despejado, vai ter medo de falar em  público? Com as chuvas torrenciais que anualmente provocam enchentes e deslizamentos frequentes durante a primavera e verão, desabrigados  gritam  na frente das câmeras  que precisa da ajuda do governo e da solidariedade da população.

32%  medo de altura.

Medo de altura é um privilégio para quem tem papai  rico que o pode  socorrer em qualquer emergência. O pobre se arrisca a trabalhar dependurado  em prédios, enfrenta fogo  nas alturas como os valentes soldados do Corpo de Bombeiros.

22% - Medo de insetos. Este é para quem não sabe o que é encontrar uma cobra  cascavel em seu caminho, uma jacaré no rio e uma onça pintada  faminta,  um estuprador  na madrugada, horário em que a maioria das mulheres  de baixa renda estão  sozinhas, no ponto de ônibus,   a caminho do trabalho. Se preocupam também com 100% de  chance de encontrar um assaltante no beco escuro quando retornam  exaustas da escola, altas horas da noite.

19% -  Medo de doenças. A doença é bem democrática, acomete a todos, porém, o pobre sequer tem tempo para temê-la,  sempre há preocupações maiores como o desemprego que o poderá matá-lo de uma forma bem mais dolorida, de fome.

19%  Medo da morte.  Isto pode ser privilégio de rico, porque o pobre teme é a circunstância em que morrerá. Fome? Frio? Bala perdida? Atropelado?Torturado por bandidos? Exaustão? Falta de atendimento médico?

Os problemas dos brasileiros são bem maiores!