domingo, 23 de outubro de 2016

Paisagem sonora



Os sons predominantes  foram se transformando ao da história. Nas comunidades primitivas  no seio das florestas e descampados, os sons da natureza predominavam. Desde a mais tenra idade já prestavam atenção aos sons dos animais, aves, trovões, vento, cachoeiras entre outros. Seus ouvidos eram treinados para decifrar os  presságios sonoros da natureza e decidir: relaxar, correr  ou lutar.

 Com o decorrer dos anos e a formação de grandes núcleos urbanos, os sons da natureza  passaram para segundo  plano e as vozes, os risos da pessoas, o ruído de suas atividades artesanais assumiram o primeiro.

No final do século XVIII  a paisagem sonora sofreu grandes transformações com a  Revolução Industrial; os sons mecânicos  abafaram não só os sons humanos como os da natureza.


É  ilusão acreditar no retorno do som pastoril.  Deixar a grande metrópole e ir refugiar-se em uma longínqua colina à beira do riacho, com certeza, você será surpreendido com o   som mecânico que vem do céu: Avião!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Amigas

Amigas

Mulher que nasce em família numerosa e  passa a infância e adolescência  convivendo somente com parentes, normalmente tem um sonho simples: Ter amigas! Não conhecidas, aquelas que ocasionalmente saem para  baladas, disputam  sem a menor cerimônias os  bonitões disponíveis, pedem dinheiro emprestado e nunca pagam e, sempre lembra de você quando precisa de um favor. Fora  estas circunstâncias,  esquecem o seu  contato.
Falo de amiga verdadeira, aquela que  telefona somente para saber se você está bem,  que aparece de repente em sua  casa para conversar sobre banalidades, dos sonhos futuros e dos passados, que hoje são apenas  lembranças doces; diante  da impossibilidade de se realizarem e, também, é claro, reclamar da tia, do irmão, do padrinho, do marido e segue uma lista infinita. Em família, isto não é possível, vira fofoca  e brigas intermináveis, narizes torcidos, constrangimentos em festas. Amigas falam, falam, falam, aliviam os  corações e a alegria flui  naturalmente. Mulheres que conversam entre si sobre as mazelas da vida, não fazem uso de medicamento de tarja preta porque  estão sempre de alma lavada e o melhor, sem ferir ninguém, já que o que se fala entre amigas verdadeiras desaparece no ar sem deixar o vestígios.
Sempre desejei uma amiga verdadeira que não repetisse as intrigas  dos meus irmos, principalmente do queridinho da mamãe e do protegido do papai. Passei a infância e adolescência tentando, fui traída por todas e, muitas vezes, o desfecho não foi bom e os resquícios  perduram até hoje. Na impossibilidade de falar, com os sentimentos reprimidos desenvolvi doenças psicossomáticas o que levou – me a uma cirurgia das amígdalas. Obviamente que o procedimento cirúrgico não aliviou a angústia crônica e, na primeira oportunidade fiz terapia. É verdade, procurei um profissional para falar das pequenas picuinhas, que acontecem no seio do lar e, dependendo da neurose dos envolvidos,  um simples “abaixe o som”, pode terminar em agressões verbais e até físicas.
Foi ótimo! Minha saúde física e mental melhorou bastante, mudei para longe da minha família e pensei: Agora sim,  vou fazer novas amizades, sem fofocas, a começar pelos vizinhos. Ledo engano! Comecei uma amizade com uma colega de trabalho; tudo parecia  estar dentro da normalidade. Eu freqüentava a casa dela, ela a minha, até que um dia, comprei um tecido  que não serviu ao seu fim e, ela gostou dele e disse que queria comprá-lo, mas não tinha o dinheiro naquele momento, ficou de pagar os R$20,00 assim que recebesse. Tudo certo, porem, até hoje  não recebi e deixei para lá, mas fiquei cautelosa.
Sendo a minha natureza “doação”  sabendo das suas  dificuldades no trabalho, com a carências de seus pupilos, doei-lhe  mais do que o necessário, tanto que ela veio a minha casa várias vezes e saía sempre com duas sacolas carregadas, fora o que eu deixa  na sua caixa de  correspondência. Sempre que eu a convidada para sair ela estava disponível, para jantar em minha casa também, porém, atentei-me para um detalhe, nunca me telefonava ou passava em minha casa para saber como eu estava, ou simplesmente, bater papo, somente se precisava de alguma coisa. Em um destes encontrou, tanto falou em um pudim de leite condensado que ela fez para o pai, tia, madrinha, irmã, sobrinha  que senti um desejo enorme, como os de grávida, de comer o  bendito pudim, feito por ela. Fique sem graça de pedir para fazer um para mim e fui a padaria, comprei e comi até adoçar a minha alma mas a vontade continuava. Comprei em  doceria, supermercados e  nada. Assim, falei com ela e pedi que me fizesse esse agrado  e obtive um sim como resposta. Os dias foram passando e nada.
 Uma nova oportunidade de trabalho surgiu para ela e eu tinha exatamente o material de que ela precisava. Vi  a chance de  saciar a minha vontade da receita de pudim de leite condensado dela. Falei claramente: Chantagem; Troco o livro que você precisa por um pudim da sua receita, feito no fogão a lenha, por você. Novamente, um sim foi a resposta, mas o livro continua  em minha estante.

Diante deste episodio, vejo-me novamente com a mesma reflexão: O quanto vale a minha amizade?  O que uma amiga é capaz de fazer por mim, para que eu possa considerá-la amiga de verdade?  Ainda não tenho  as respostas. Tenho apenas a certeza que continuarei a busca iniciada na infância: Uma amiga sincera!
Outubro 2016

domingo, 14 de agosto de 2016

Oração Indígena do Sillêncio

A oração indígena do silêncio:
Sente-se à beira do amanhecer, o sol nascerá para você.  Sente - se à beira da noite, as estrelas brilham para você. Sente-se à beira do rio, o rouxinol canta para você. Sente-se à beira do silêncio, Deus vai falar com você." Avagana Daçui-rá 

Vento

È inverno!  A possibilidade de uma chuva para lavar a poluição do ar é remota. A umidade do ar está abaixo do recomendável.  È agosto! Sinto falta da ventania característica deste mês, que homenageia o imperador romano Cesar Augusto. Pela janela, olho as copas das árvores nas ruas nenhuma folha se mexe. Cadê o vento? Será que fugiu com medo da crença popular que agosto é o mês do desgosto?
Eu não tenho a mínima ideia de onde e quando  surgiram as superstições negativas atribuídas ao oitavo mês do  ano. Fato é que elas são transmitidas de geração em geração. Soube pelos antigos, que  na época das grandes  navegações as mulheres portuguesas, como medo da viuvez, não casavam em agosto, época em que várias naus singravam os  mares em buscas de novas terras e, esta tradição chegou ao Brasil com os colonizados e fincou raízes. Meus pais casaram em 31 de julho, com medo de alguma desgraça e repassaram a tradição aos filhos e  esta,  é seguida até hoje netos e  bisnetos que repassarão aos seus descendentes.
 Crendice ou não, a história  relata acontecimento trágicos  ocorridos neste mês. Cito alguns só para lembrar e você não duvidar tanto  das superstições populares.
06 de agosto de 1890, o primeiro homem  foi eletrocutado em uma cadeira elétrica, em Nova York, E.U.A.
01 de agosto de 1914,  uma triste data para lembrar. Início da 1ª Guerra Mundial.
Agosto de 1939, início da Segunda Guerra Mundial.
6 e 9 de agosto de 1945, mais de duzentas mil pessoas morreram vítimas das bombas atômicas,  lançadas nas de Hiroshima e Nagazaki.
24 de agosto de 1954, o então presidente do Brasil,  renunciou não somente à Presidência, mas também à vida.
22 de agosto de 1976, eu tinha apenas 16 anos de idade quando  a voz do seresteiro de Diamantina, MG, calou-se definitivamente. Juscelino Kubitscheck faleceu vítima de um desastre automobilístico.

         Chega de exemplo!  Iniciei o texto para falar sobre  o vento, ou melhor, a falta dele. Por onde andará?   Que noticias boa trará quando retornar de lugares longínquos? Ah! Se o vento tivesse o poder fazer  desaparecer  as doenças, as dores da  alma! Em suas voltas  infinitas voltas pelo universo, quiçá um dia ele  retorne e  traga o equilíbrio emocional para todos os povos e que  a vida natural retome o seu ritmo – o ritmo do universo!

domingo, 31 de julho de 2016

Amigos reais X amigos virtuais

Sabiamente disse um perspicaz cronista carioca: “Solidão, seu codinome é tamagochi”, isto nos idos anos 90, quando virou febre o bichinho virtual de estimação. Crianças esqueciam as lições de casa, as brincadeiras com os irmãos, amigos, secretárias deixavam o telefone tocando, donas de casa esqueciam panelas no fogão, dando início a princípios de incêndios para cuidar dele, que exigia atenção e satisfação imediata de suas necessidades, que se não satisfeitas, o indefeso podia ir a óbito. Nesta época eu me perguntava: Por que as pessoas disponibilizam tanto tempo com um ser virtual?
            Às vezes penso que o cronista tem razão! Quem sabe é a solidão, que faz as pessoas enveredarem no mundo virtual. Por solidão, também segui  este caminho, porém,  o que eu encontrei foi a desilusão, permeada de  medo que são tantos! Medo de cair  na lábia dos “scammers”, quadrilha especializada em  dar golpes  virtuais, que lesa financeiramente  e emocionalmente mulheres carentes,  apaixonadas e tantos outros que escreverei sobre eles em outras oportunidades.

            As redes sociais são ótimas para ampliar o conhecimento, conhecer outras pessoas, outras culturas, porém, não substituem o calor humano e a felicidade de sentar à mesa para o chá das cincos, disputar  um  lugar no sofá para  ver o programa favorito na TV, ler trechos de um livro para uma pessoa querida.  Volto à questão: por que estamos priorizando os amigos virtuais em prol dos reais? Quais são as conseqüências desta escolha para a humanidade?

domingo, 17 de julho de 2016

Trecho do poema


“ Ver um  Mundo num grão de areia
E um Céu numa flor silvestre,
Ter o Infinito na palma da mão
E a Eternidade numa  hora.” ..
..
Trecho do poema Augúrios de Inocência

William Blake

domingo, 22 de maio de 2016

A porta

A porta que abre de mansinho,
entra o menininho.
A porta que abre com cuidado,
entra o namorado.
A porta que abre de supetão,
entra o capitão.

Autor desconhecido

Complete.....

Para quem ou que o  você abre a porta do seu coração?

1-Diversidade cultural;
2-Pluralidade de ideias;
3-Solidariedade;
4-Compaixão;
5-Cuidado com o outro e com a natureza.

6-