domingo, 10 de fevereiro de 2019

Quem escolhe?



          Às vezes as pessoas se  veem pensando se  o indivíduo escolhe o seu caminho ou se  é escolhido por ele. Fato é que quando uma pessoa se propõe a caminhar, ela o faz com disposição para  superar as dificuldades com  coragem e determinação  e aceita com gratidão  a ajuda daqueles  com os quais vai cruzando na longa jornada da existência.
          Situações banais do dia a dia como assistir um filme   ambientado em determinada época pode tornar esta dúvida ainda mais cruel. Amarga Colheita,  do diretor  George Mendeluk,  tendo como pano de fundo a grande fome ucraniana (holodomor)   um dos piores períodos da história da Ucrânia quando centenas de milhares de famílias trabalhadoras do campo foram perseguidas pelo regime stalinista e morreram à míngua é um bom exemplo. Embora o filme  tenha recebido críticas negativas,  foi uma brilhante ideia  do diretor retratar cinematograficamente,   a ascensão do comunismo na União Soviética   a partir do ponto de vista das vítimas do genocídio – os  camponeses ucranianos;  vale a pena assisti-lo.
          Diante de tamanha atrocidade  em que inocentes são as principais vítimas não há como se perguntar:
- Por que o caminhar de determinados povos   foram  tão dolorosos?
- Eles  tiveram opção  para seguirem por outros  caminhos?
- Terá valido a pena suportar tanta dor para sobreviver como um povo?
- O que se pode fazer para que  fatos terríveis como   o Holodomor não se repita?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Sete quilos de veneno



          Que o Brasil é  um país que paga as suas contas graças ao agronegócio   é sabido por toda a população, porém, o que deixa os consumidores  preocupados são   as notícias divergentes sobre o uso correto de pesticidas. reportagens alarmantes  são divulgas  pelos meios de comunicação sobre o excesso e uso de produtos proibidos em outros países,  o “pacote do veneno”, defendido com vigor pela  “Musa do veneno”  como ficou conhecida  a  parlamentar responsável pela pasta  da agricultura, atirou mais lenha na fogueira.
 Depois que a Rússia anunciou  a possibilidade de  suspender a importação da soja brasileira porque os produtores estão extrapolando no uso de agrotóxicos na produção dos grãos, donas de casas preocupadas  em oferecer uma  alimentação saudável à família,  refazem constantemente as contas,  para ver se há a possibilidade de comprar apenas produtos orgânicos.
Pesquisas exaustivas  e infrutíferas  confunde mais a cabeça do consumidor porque as reportagens sãos divergentes e, diante da impossibilidade de saber qual  meio de comunicação publicou os resultados verdadeiros sobre o uso de agrotóxico no Brasil e de oferecer somente produtos orgânicos à família,  a dona de casa vê como única saída,  pedir a Deus saúde em abundância para todos. A distância entre o querer e o poder é bem grande e ao trabalhador só lhe resta consumir  com resignação seus sete quilos e meios de  veneno anualmente..

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Bailando a tristeza



         
          Nilza  é contemporânea das feministas da década de1960 e, a exemplo das revolucionárias, abdicou da tradição familiar para  alçar voos  em  outros ares, que naquela época, acreditava-se ser o melhor para a mulher moderna e independente financeiramente. Ao completar 18 anos providenciou seus documentos, procurou trabalho, economizou e partiu de sua pacata cidade rumo à capital, na expectativa de uma vida divertida   freqüentando lugares elegantes com os amigos. Viagens ao exterior e renovação  anual do  guarda-roupa com os últimos lançamentos da moda parisiense faziam parte da bagagem. Quanta ilusão!
          Sem indicação e qualificação, levou  mais de um ano para conseguir  um trabalho. Recebia um salário mínimo que mal dava para o transporte, alimentação básica e moradia em uma casa de família em que alugou um quarto coletivo. As colegas de quarto, como ela, iludidas  com a emancipação da mulher,  não conseguiam enxergar que  sonhar é bom, porém, qualificação profissional, esforço, persistência e um pouco de sorte são necessários  para  alcançar os objetivos e assim iam vivendo os seus dias contando com a possibilidade de um milagre e enquanto ele não acontecia, percorriam lojas de ruas populares,  promoções e pontas de estoque para manter um  visual apresentável e  uma fome crônica, já que os minguados recursos mal davam para  comprar os  produtos da cesta básica nas promoções dos mercados próximos à residência ou trabalho, para economizar o dinheiro da condução e assim, no domingo, comprar algumas verduras  na xepa da feira livre.
          Nos vinte anos  em que viveu no interior, Nilza queixava-se das poucas oportunidades de lazer que a cidade oferecia: missa  diária, festas  do calendário  católico: solenidades da semana santa, pentecostes,  dia de finado, natal. Alguns casamentos e batizados, festa do padroeiro da cidade, aniversário da cidade e barzinhos e restaurantes, e aos sócios do clube, as atividades   exclusivas para os freqüentadores. Para ela era pouco, queria mais.  O sonho de  desfrutar da  riqueza cultura  da capital foi por terra com a  velocidade de um tornado. Trabalhava muito, ganhava  pouco e estava sempre cansada e sem dinheiro, nem  das atividades religiosas participava mais porque mesmo sendo abertas  à comunidade, não dispunha de tempo e do dinheiro para a   condução.  Em meio a desilusão e carestia, passaram-se trinta anos e  ela deixou a dura vida de trabalhadora e pode enfim, gozar o privilégio da aposentadoria  e, ingenuamente acreditou  que enfim, iria encontrar um pouco de diversão e alegria.
          Tão logo sentiu o peso do ócio,  saiu em busca de afazeres que pudesse preencher o seu vazio existencial, e  novamente encontrou a barreira de seus parcos recursos. O que lhe restou? Atividades grátis ou  a  preços módicos  e um novo círculo de amizades com pessoas com o mesmo perfil: pobres, solitárias e desiludidas.  Diante da impossibilidade de realizar os sonhos acalentados de fazer um cruzeiro, uma viagem internacional, freqüentar restaurantes elegantes, aceitou o convite das amigas para um baile popular da terceira idade, na expectativa de encontrar um  cavalheiro  para conversar, dançar e talvez  até quem sabe, iniciar um namorico, porém, já na entrada, percebeu que apenas acrescentaria mais uma desilusão em sua vida.  Em virtude da escassez de cavalheiros, os organizadores contratam monitores para dançar com as mulheres e, assim, a noite que prometia muito,  ficou resumida à  cinco horas sentada, em silêncio, porque  o som alto não permitia  conversa, e mesmo se o ambiente   permitisse diálogo, nada haveria a dizer porque em suas vidas acumularam apenas frustrações e tardiamente perceberam  a sabedoria das avós que diziam “que a vida se renova com os filhos, netos e bisnetos!”


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Janeiro Vermelho/2019

                           
           Em 22 de abril de 1500, naus portuguesas atracaram em  terras  virgens habitadas por povos que viviam em harmonia com a natureza, desprovidos da cultura capitalista de acúmulo de riquezas e neste encontro de duas culturas diferentes,  a terra madre ficou encharcada de sangue dos nativos. Quinhentos e dezenove anos depois  há a iminência  de um novo genocídio e a pátria amada, novamente beber  a seiva de seus filhos.
          Com o slogan: Sangue Indígena. Nenhuma gota a mais, encerra-se neste dia 31 de janeiro de 2019  as atividades do #JaneiroVermelho. Durante  o primeiro mês do ano, foram realizadas em todo território nacional uma série de ações visando denunciar as  crescentes ameaçadas  sofridas  pelos indígenas e mobilizar a sociedade brasileira  em prol daqueles que são os verdadeiros donos da terra.
          Os modos  tradicionais de vida dos  povos  nativos do Brasil beneficiam todo  o planeta porque protegem às florestas, à biodiversidade e demais riquezas naturais. Abraçar a causa indígena é abraçar a vida!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Combinação infeliz




          É de consenso geral que a má formação escolar condena o indivíduo ao fracasso profissional. Verdade seja dita, as Instituições de Ensino não podem arcar sozinhas com esta  responsabilidade porque  a persistência é um fator preponderante para o sucesso na carreira. Se há um objetivo e determinação o candidato  busca  aprimoramento pessoal e não poupará esforços para alcançar o  alvo, mas quando a deficiência alia-se ao comodismo, insegurança, complexo de inferioridade e desânimo o destino de carestia já está traçado e não há força  capaz de fazer chegar ao topo, aquele que se recusa a caminhar.
          A vida acadêmica de Tammy  é um bom exemplo. Cursou o ensino fundamental em um escola de reputação duvidosa, e por ficar muitos anos ausentes dos bancos escolares,  terminou sua educação básica em uma escola para adultos, a mais barata e com fama de P.P. ( pagou, passou)  e como esforço não é uma de suas qualidades, nem sequer arriscou a prestar vestibular em uma  universidade pública. Sonhar alto, desejar muito e trabalhar pouco são os traços marcantes de sua personalidade, sua graduação foi feita em universidade popular, sem muito esforço e com pouco dinheiro.
          Graduada, sonhou em alcançar altos postos de trabalho,  sem se preocupar em corrigir as falhas de sua formação. Embora vislumbrasse o topo da montanha,  procurava   trabalho  na  planície, onde não se destacou, apenas acumulou fracassos. Na vã tentativa de melhor a sua situação financeira, dedicou-se a prestar concursos públicos, mesmo  dispondo de tempo, não estudava, e consequentemente, nunca conseguiu uma boa classificação e uma nomeação, findando seus dias em  um subemprego, infeliz e pobre porque   sonhou muito e lutou pouco, combinação perfeita para uma vida triste e de muita carestia.

sábado, 26 de janeiro de 2019

O peso dos anos




          Um dos maiores erros de algumas mulheres que se intitulam modernas e independentes  é dedicar-se demasiadamente ao trabalho e negligenciar a família e as amizades. O trabalho  remunerado  é temporário. É uma fase necessária porque dele se tira o sustento e garante a aposentadoria que  permite ao segurado,  esperar  pela última viagem com tranqüilidade financeira. Parentes e amigos são necessários para ajudar a preencher  o vazio existencial  oriundos  da falta do labor.
          Com a alegria da aposentadoria, vem o ócio e com ele a solidão. Diante do  espelho, o fiel amigo das mulheres, com lágrimas a escorrer pela face enrugada elas observam as marcas dos anos até então despercebidas, rosto envelhecido, olhos  tristes e vazios, lábios finos e amargos, mãos ásperas, seios flácidos, barriga protuberante, estrias, varizes, celulites  e corpo enrijecido  pelo peso dos anos.
          Neste momento íntimo em frente ao espelho, sem a possibilidade de voltar ao passado para corrigir os erros, procura  identificar um pequeno vestígio de sua juventude: pele macia e rosada como o pêssego, mãos delicadas e sorriso  alegre que atraiu a atenção de tantos pretendentes, com os quais poderia ter construído  uma  família. Em sua mente vem um pergunta: Será possível ainda  construir relações sólidas de amizades? Por onde começar?


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Lamento



          Feliz é aquela mulher que ao longo dos anos,  permite  transformações e adaptações em seus sonhos de juventude, e trilhando em outras veredas, amplia seus horizontes, luta bravamente e sabe levantar após as derrotas.
          Infeliz  é aquela que  ocupa  sua mente com pensamentos  negativos e deixa o coração transbordar de mágoas e ressentimentos, criando uma ligação desagradável com as pessoas de seu convívio.
          Triste é a sina daquela que desconhece a solidariedade humana, coleciona angústias, desacredita nos  jovens e exalta suas falhas e perspectivas de  um futuro  de fracassos e derrotas.
          Amargos são os dias daquela que não tem um Deus a acreditar e se apoiar, que duvida dos progressos da ciência, sonha com uma vida  confortável  e  não é capaz de lutar para transformar  o cinza de sua vida no verde da esperança.