É quarta-feira, o meio da semana que costuma nos
lembrar que o tempo corre sem pedir licença. E talvez seja justamente sobre
isso que falamos quando pensamos nas festas de aniversário: o tempo, sua
passagem e a forma como escolhemos celebrá-lo.
As origens dessas comemorações remontam ao Egito
Antigo, quando faraós eram homenageados não pelo nascimento físico, mas pelo
dia em que se tornavam divindades. Os gregos, por sua vez, acendiam velas em
bolos de mel para honrar Ártemis, a deusa da lua — gesto que atravessou séculos
e hoje se traduz no ritual de soprar velas e fazer um pedido. Já os romanos
foram pioneiros em estender a celebração aos cidadãos comuns, acreditando que
presentes e votos de felicidade serviam como proteção contra espíritos
malignos.
O cristianismo, inicialmente reticente, acabou por
abraçar a ideia ao celebrar o nascimento de Cristo. A partir do século XIX,
sobretudo na Alemanha, as festas de aniversário ganharam o formato que
conhecemos: bolo, velas, presentes e a reunião de amigos e familiares.
No Ocidente, o simbolismo permanece forte. O bolo é
mais que sobremesa: é oferenda, é centro da festa. As velas representam luz e
esperança. Os presentes, desde Roma, carregam o sentido de bons augúrios. E a
reunião social, talvez o mais importante dos elementos, reafirma que viver é
também pertencer.
Assim, cada aniversário é mais que uma data no
calendário. É rito de passagem, celebração da identidade e lembrança de que,
apesar da pressa dos dias, há sempre espaço para parar, cantar “parabéns” e
brindar à vida.
No meio da semana, entre compromissos e rotinas,
pensar na origem das festas de aniversário é quase um convite: que tal celebrar
não apenas o dia em que nascemos, mas também cada instante que nos faz sentir
vivos?
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